quinta-feira, 31 de março de 2011

Revoluçao Militar de 1964



A Ditadura Militar foi o período da política brasileira em que os militares governaram o Brasil, entre os anos de 1964 e 1985. Essa época caracterizou-se pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição política e repressão àqueles que eram opostos ao regime militar. Desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961, o Brasil vivia uma crise política. O vice de Jânio, João Goulart, assumiu a presidência num clima político tenso. Seu governo foi marcado pela abertura às organizações sociais.

Estudantes, organizações populares e trabalhadores ganharam espaço no cenário político brasileiro, preocupando as classes conservadoras, como empresários, banqueiros, a Igreja Católica, militares e a classe média. Em plena Guerra Fria, os EUA temiam que o Brasil se voltasse para o lado comunista.

Os partidos que se opunham a Jango (João Goulart), como a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Social Democrático (PSD), o acusavam de estar planejando um golpe esquerdista e de ser o responsável pelos problemas que o Brasil enfrentava na época. No dia 13 de março de 1964, João Goulart realizou um grande comício na Central do Brasil (Rio de Janeiro), onde defendeu as Reformas de Base e prometeu mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país.
Seis dias depois, em 19 de março, os conservadores organizaram um protesto que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo contra as intenções de João Goulart. Foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade. A crise política e as tensões sociais aumentavam a cada dia. No dia 31 de março de 1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saíram às ruas. Evitando uma guerra civil, Jango deixou o país, refugiando-se no Uruguai. Os militares finalmente tomaram o poder.

Logo após a tomada de poder pelos militares, foi estabelecido o AI-1. Com 11 artigos, o mesmo dava ao governo militar o poder de alterar a constituição, cassar mandatos legislativos, suspender direitos políticos por 10 anos e demitir, colocar em disponibilidade ou aposentar compulsoriamente qualquer pessoa que fosse contra a segurança do país, o regime democrático e a probidade da administração pública, além de determinar eleições indiretas para a presidência da República.

Durante o regime militar, houve um fortalecimento do poder central, especialmente do poder Executivo, caracterizando um regime de exceção, pois o Executivo se atribuiu a função de legislar, em detrimento dos outros poderes estabelecidos pela Constituição de 1946. O Alto Comando das Forças Armadas passou a controlar a sucessão presidencial, indicando um candidato militar que era referendado pelo Congresso Nacional.

A liberdade de expressão e de organização era quase inexistente. Partidos políticos, sindicatos, agremiações estudantis e outras organizações representativas da sociedade foram extintas ou sofreram intervenções do governo. Os meios de comunicação e as manifestações artísticas foram submetidos à censura. A década de 1960 iniciou também, um período de grandes modificações na economia do Brasil: de modernização da indústria e dos serviços, de concentração de renda, de abertura ao capital estrangeiro e de endividamento externo.

domingo, 27 de março de 2011

Super lua


Uma belíssima imagem da Lua cheia em 19.03.2011, por trás da Universidade da Flórida - foto retirada do site da Folha de São Paulo. Pela primeira vez após 18 anos, a Lua passou pelo ponto mais próximo da sua órbita e a Terra. Ou exatamente a uma distância de 356.577 quilômetros --ou 55 mil quilômetros mais perto do planeta onde vivemos. O fenômeno, que ocorreu no último sábado e é chamado de "superlua", faz com que o satélite natural da Terra fique maior e mais brilhante do que em outras condições. 
Fonte:blogdoborjao.blogspot.com

sexta-feira, 25 de março de 2011

Consenso de Washington

A expressão Consenso de Washington, chamada também de neoliberalismo, nasceu em 1989, criada pelo economista inglês John Williamson, ex-funcionário do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Numa conferência do Institute for Intemational Economics (IIE), em Washington, Williamson listou políticas que o governo dos Estados Unidos preconizava para a crise econômica dos países da América Latina.
          Por decisão do Congresso norte-americano, as medidas do Consenso de Washington foram adotadas como imposições na negociação das dívidas externas dos países latino-americanos. Acabaram se tornando o modelo do FMI e do Banco Mundial para todo o planeta. De outro lado, movimentos nacionalistas e de esquerda criticam essa política e protestam contra sua aplicação.
          O neoliberalismo prega que o funcionamento da economia deve ser entregue às leis de mercado. Segundo seus defensores, a presença estatal na economia inibe o setor privado e freia o desenvolvimento. Algumas de suas características são:
Abertura da economia por meio da liberalização financeira e comercial e da eliminação de barreiras aos investimentos estrangeiros;
Amplas privatizações;
Redução de subsídios e gastos sociais por parte dos governos;
Desregulamentação do mercado de trabalho, para permitir novas formas de contratação que reduzam os custos das empresas.
 

          Historicamente, as idéias do neoliberalismo se contrapõem ao keynesianismo – ideário formulado pelo economista John Keynes (1883-1946), dominante no período do pós-guerra,a partir de 1945, que defendia um papel determinante e uma presença ativa do Estado na economia como forma de impulsionar o desenvolvimento.Os mais conhecidos elaboradores do neoliberalismo são os economistas Friedrich Hayek, austríaco, e Milton Friedman, norte-americano, ambos vencedores do Prêmio Nobel de Economia na década de 1970.

Globalização
          Outra palavra que passou a designar a atual fase da economia mundial é globalização. A palavra indica que há crescente interdependência entre mercados, governos, empresas e movimentos sociais em nível global. Se é verdade que as economias dos países estão hoje mais integradas do que nunca, o fenômeno em si começou há muito tempo. Os primeiros passos rumo à conformação de um mercado mundial e a uma economia global remontam aos séculos XV e XVI, com a expansão ultramarina européia. Quando Cristóvão Colombo chegou à América, em 1492, deu início ao que alguns historiadores chamam de primeira globalização. O desenvolvimento do mercantilismo estimulou a procura de diferentes rotas comerciais da Europa para a Ásia e a África, cujas riquezas iriam somar-se aos tesouros extraídos das minas de prata e ouro do continente americano.
          Essas riquezas forneceram a base para a Revolução Industrial no fim do século XVIII. As descobertas científicas e as invenções provocaram enorme expansão dos setores industrializados e ampliaram o mercado para a exportação de produtos.
          Começaram a surgir, no fim do século XIX, as corporações multinacionais, industriais e financeiras, que irão se reforçar e crescer no século seguinte. A interdependência econômica entre as nações tornou-se mais evidente em 1929: após a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, a depressão econômica norte-americana teve conseqüências negativas em todo o mundo.
          O fim do século XX assiste a um salto nesse processo. Em 1989 ocorre a queda do Muro de Berlim, marco da derrocada dos regimes comunistas na União Soviética e no Leste Europeu. Nos anos seguintes, esses países serão integrados ao sistema econômico mundial. A integração acentuou-se a partir dos anos 1990, por intermédio da revolução tecnológica, especialmente no setor de telecomunicações. A internet, rede mundial de computadores, revelou-se a mais inovadora tecnologia de comunicação e informação do planeta. As trocas de informações (dados, voz e imagens) tornaram-se quase instantâneas, o que acelerou em muito o fechamento de negócios.
          Com a expansão do comércio, ocorreu a intensificação do fluxo de capitais entre os países. A busca de maior lucratividade levou as empresas a investir cada vez mais no mercado financeiro, que se tornou o epicentro da economia globalizada.
           A atual mobilidade do mercado mundial permite que grandes empresas façam relocalizações de fábricas - nome que se dá ao fechamento de unidades de produção em um local e sua abertura em outra região ou outro país. Esse mecanismo é globalmente usado para cortar gastos com mão-de-obra, encerrando a produção em países nos quais os salários são maiores para organizar a produção onde há custos menores.
          Um exemplo são as "maquiladoras", empresas abertas no norte do México, logo ao sul dos EUA, que apenas montam uma série de produtos, utilizando trabalhadores que recebem salários bem mais baixos que os pagos no mercado norte-americano. Grande parte da recente industrialização da China também ocorre com a abertura de fábricas de multinacionais, que se beneficiam dos baixos salários locais. Esse fenômeno influencia no "desemprego estrutural", ou seja, uma elevação no número de desempregados que não é causada por fatores passageiros (como uma recessão), mas por motivos estruturais da própria economia mundial. Cria-se uma divisão na qual os países ricos concentram as empresas de alta tecnologia, com alto faturamento, espalhando pelo resto do mundo as indústrias que exigem grande quantidade de mão-de-obra.
          Atualmente, os maiores investidores internacionais podem, com o simples acesso ao computador de um banco, retirar milhões de dólares de nações nas quais vislumbram problemas econômicos. Quando os países se tornam excessivamente vulneráveis a esses movimentos bruscos de capital, os organismos internacionais como o FMI podem liberar empréstimos para que possam enfrentar a fuga de dólares. Em contra partida, os governos beneficiados ficam obrigados a obedecer ao receituário ditado pela instituição, que é basicamente o estabelecido pelo Consenso de Washington.
          O problema é que, além de muitas vezes penalizar as populações carentes, por causa da desativação ou da desaceleração dos investimentos sociais, essas políticas tendem a frear o crescimento econômico, por força da maior carga tributária, do congelamento de investimentos públicos e da elevação dos juros.
          A globalização acenou com perspectivas que não se concretizaram. Imaginou-se um mundo integrado economicamente e sem fronteiras. Pelas previsões de seus propagandistas, novas tecnologias e métodos gerenciais promoveriam o aumento geral da produtividade, o bem-estar dos indivíduos e a redução das desigualdades entre as nações.
          Não é isso, porém, que se vê no mundo. Com freqüência, as reformas neoliberais não trouxeram progresso nem melhoraram a distribuição de renda. Em muitas nações, a miséria cresceu, como mostra o relatório citado sobre a América Latina.
          Na África Subsaariana (países ao sul do Saara), a pobreza cresceu muito nesse período. Nessa região, desde 1981, a redução de 13% no PIB per capita fez com que dobrasse o número de pessoas que vivem com menos de 1dólar por dia, de 164 milhões para 314 milhões. Nos países do Leste Europeu, o número de pessoas na miséria atingiu 6%em 2000; antes, esse percentual era quase zero.
          Na verdade, os países industrializados continuaram prosperando mais que os emergentes. Se em 1990 a renda média dos 20%mais ricos da economia mundial era 60 vezes maior que a dos 20% mais pobres, em 1999 ela passou a ser 74 vezes maior.

quinta-feira, 24 de março de 2011

MERIDIANO de GREENWICH


No dia 22 de Outubro, comemoraram-se os 127 anos do Meridiano de Greenwich. Essa linha imaginária assinala a Longitude (0° 0' 0") e divide a Terra nos hemisférios oriental e ocidental – tal como o Equador a divide nos hemisférios norte e sul (Latitude 0º 0' 0"). Assim, qualquer ponto da superfície da Terra, se pode localizar através dessas duas coordenadas – longitude e latitude.
O Meridiano de Greenwich é o meridiano que passa sobre a localidade de Greenwich (no Observatório Real, nos arredores de Londres, Reino Unido) e que, por convenção, divide o globo terrestre em ocidente e oriente. Foi estabelecido por Sir George Biddell Airy em 1851.
Definido, por acordo internacional em 1884, como o primeiro meridiano, serve de referência para calcular distâncias em longitude e estabelecer os fusos horários. Cada fuso horário corresponde a uma faixa de quinze graus de longitude, sendo a hora de Greenwich chamada de Greenwich Mean Time (GMT).
O Meridiano de Greenwich atravessa dois continentes e sete países. Na Europa: Reino Unido, França e Espanha; na África: Argélia, Mali, Burkina Faso e Gana. O seu antimeridiano é o meridiano de 180º, que coincide fugazmente com a irregular Linha Internacional de Mudança de Data. Este cruza, ainda, uma parte da Rússia no estreito de Bering e uma das ilhas do arquipélago de Fiji, no Oceano Pacífico.
Como já referi, a 22 de Outubro de 1884, há precisamente 125 anos, foi aprovado, o meridiano de Greenwich como Meridiano de referência para todo o mundo, na Conferência Internacional do Primeiro Meridiano, em Washington D. C., Estados Unidos.
A partir dessa altura, para os países que aceitassem a norma, a longitude 0° passaria pelo Observatório Real de Greenwich, nos arredores de Londres. Além disso, o globo passava a estar dividido em 24 "gomos", os fusos horários, com uma hora ou 15 graus cada um. Os fusos horários seriam contados positivamente para leste, e negativamente para oeste, até ao Meridiano de 180º - o Anti-Meridiano, situado no Oceano Pacífico, onde seria a Linha Internacional de Mudança de Data.
Deve-se a Eratóstenes (276-196 AC) a base do sistema de coordenadas que ainda hoje se usa e que permite localizar, através de uma latitude e de uma longitude, qualquer lugar na superfície do globo. Se a questão da latitude sempre foi pacífica, medindo-se a partir dos zero graus do Equador, para norte e para sul, já a da longitude demorou muito mais tempo a padronizar-se.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Corrida Espacial

CÁPSULA QUE ANTECEDEU VIAGEM DE GAGÁRIN AO ESPAÇO
Antes de enviar o primeiro homem ao espaço, exatamente 50 anos atrás, a então União Soviética realizou um último e derradeiro teste com uma pequena cápsula que poderia acomodar o cosmonauta Yuri Gagárin em sua histórica missão. A cápsula de teste, o Vostok 3KA-2, que ainda apresenta queimaduras provocadas pela reentrada na atmosfera terrestre. A cabine não mede mais do que 2,5 metros de diâmetro e carregou um manequim com proporções humanas e um cão semanas antes de ocorrer a viagem de Gagárin. O programa espacial russo de décadas passadas também fez o feito de enviar, em 1960, o foguete Sputnik-5 com duas cadelas --Belka e Strelka-- que se tornaram os primeiros seres vivos a viajar ao espaço e retornar vivos à Terra. Em 25 de março do ano seguinte, foi a vez do cápsula Vostok, que completou uma órbita, reentrou na atmosfera terrestre e pousou em um local na cidade russa de Izhvesk. Com esse feito, abriu as portas para a primeira tentativa de se colocar no espaço um ser humano, que se revelou posteriormente um sucesso.

terça-feira, 22 de março de 2011

HORÁRIO de VERÃO

 

O que é?

O Horário de Verão consiste no adiantamento dos relógios para promover economia de energia elétrica com o aproveitamento da luz natural dos dias mais longos das estações de verão/primavera; nas estações de outono/inverno os relógios são atrasados, retornando assim ao horário habitual.
O horário de verão é utilizado por cerca de 30 países. No Brasil, os relógios são adiantados ou atrasados em 1 hora, mas isto varia de país para país.
Foi Benjamin Franklin, em 1784, quem teve a idéia de implantar o horário de verão para economizar velas. Mas a proposta só foi encarada seriamente durante a I Guerra Mundial, sendo adotada também pela Inglaterra e Alemanha. Na II Guerra Mundial, a Inglaterra adotou o sistema novamente, adiantando os relógios em 2 horas. A partir daí, outros países adotaram o horário de verão e continuaram a utilizá-lo mesmo após a guerra.
Nos Estados Unidos, o horário de verão começa no primeiro domingo de abril e termina no último domingo de outubro. Na Inglaterra começa 1 semana antes do que nos Estados Unidos. Em outros países europeus termina na última semana de setembro. No Brasil, o horário de verão começa no início de outubro e termina em meados de fevereiro.

Perguntas & Respostas


1. O horário de verão traz mudanças para o relógio biológico?

Sim, os efeitos do horário de verão são semelhantes ao de uma viagem de avião em que se cruza um fuso horário, sendo que no início essa viagem seria no sentido leste-oeste e no término, no sentido oeste-leste. Em condições normais os diversos ritmos do nosso organismo (por ex. ciclo vigília-sono, ritmo de temperatura, etc..) estão sincronizados entre si (o que é chamado de ordem temporal interna) assim como ao claro-escuro ambiental. Com o horário de verão ou a mudança de fusos horários, o organismo tende a sincronizar seus ritmos ao novo horário, no entanto, como cada ritmo tem uma velocidade própria de ajuste ao novo horário, a relação de fase entre os ritmos é modificada (o que chamamos de desordem temporal interna). Após alguns dias ou semanas (dependendo do indivíduo) a ordem temporal interna é restabelecida.

2. Que tipo de alteração a pessoa pode apresentar?

Durante essa fase de desordem temporal interna o indivíduo pode experimentar um mal-estar, dificuldade para dormir no horário habitual (o horário do relógio) e sonolência diurna, o que pode levar também a alterações de humor e de hábitos alimentares.

3. É verdade que existem grupos de pessoas que sofrem mais, dependendo da regulagem de seu relógio biológico, os vespertinos por exemplo?

Sim, a resposta ao horário de verão é bastante variável entre os indivíduos. Um estudo feito no Brasil, no qual foram entrevistadas 77 pessoas de SP, RS e RN revelou que cerca de 50% das pessoas queixam-se da qualidade de sono após a implantação do horário e as diferenças entre o antes e depois são mais significativas para pessoas que dormem pouco (os chamados pequenos dormidores). Parece também que os indivíduos vespertinos teriam mais facilidade para se adaptar a entrada do horário do que os matutinos e na saída do horário a situação se inverteria, sendo mais fácil para os matutinos do que para os vespertinos, mas não existem estudos a esse respeito, trata-se de uma suposição.

4. De que forma essas pessoas são caracterizadas?

O caráter de matutinidade/vespertinidade é avaliado atráves de um questionário. As pessoas matutinas são aquelas que gostam de acordar e dormir cedo e sentem-se bem dispostas na parte da manhã. Os vespertinos são aqueles que preferem dormir mais tarde, acordar mais tarde (quando é possível), sentem-se bastante sonolentos na parte da manhã e atingem sua maior disposição do fim da tarde em diante. Além desses tipos, existem os indivíduos classificados como indiferentes porque possuem uma maior flexibilidade para alocar seu sono seja para mais cedo ou mais tarde, sem prejuízo ao seu bem-estar. É importante lembrar que a distribuição desses tipos na população segue uma distribuição normal, ou seja, a maioria é indiferente, os tipos extremos de matutinos e vespertinos são minoria, mas existem. A mesma regra vale para a existência de pequenos, médios e grandes dormidores, a maioria dos indivíduos necessita aproximadamente 8 horas de sono, enquanto uma pequena parcela necessita menos e outra parcela mais de 8 horas.

5. Isso é uma preferência pessoal?

Sim e não. É uma preferência pessoal no sentido que só o indivíduo é capaz de saber qual é a sua melhor hora para dormir, acordar, trabalhar, fazer exercícios físicos, etc..; mas essa preferência não pode ser atribuída exclusivamente às convenções sociais. Há evidências recentes de que o caráter de matutinidade/vespertinidade possui uma determinação genética.

6. Durante esse período, os riscos de acidentes podem aumentar? Há pesquisas sobre isso?

Sim, principalmente na entrada do horário de verão quando se perde pelo menos uma hora de sono. No Brasil não existem estatísticas a respeito. No Canadá foi realizado um estudo que mostrou que no dia seguinte à implantação do horário ocorreu um aumento de 7% no número de acidentes de trânsito. A situação volta ao normal somente uma semana após a implantação. Na retirada do horário (quando se ganha uma hora) ocorre uma diminuição do número de acidentes no primeiro dia e um aumento de cerca de 7% uma semana depois da retirada do sistema.

7. O que pode ser feito para minimizar os efeitos da mudança?

Recomenda-se aos indivíduos que, na medida do possível, preparem-se para dormir mais ou menos no horário de sempre (do relógio). Uma boa dica é dormir com as janelas abertas pelo menos nos primeiros dias para acordar com a claridade. Isso ajuda na sincronização. Outra recomendação é que não dirijam por muito tempo (por exemplo pegar estradas) durante os dias em que se sentem sonolentos e irritados.  

8. Sendo a implantação do horário no domingo, adiantar o relógio no sábado pode ser uma boa opção?

Sim, pode ser uma opção, mas como essa adaptação leva pelo menos uns 4 dias, não vai adiantar muito porque na segunda-feira possivelmente ainda se sentirá os efeitos da mudança, mas enfim pode ajudar.

Cidadão - Zé Ramalho

Esta letra de Zé Ramalho é uma aula sobre a Urbanização Brasileira

Tá vendo aquele edifício moço
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas prá ir, duas prá voltar
Hoje depois dele pronto
Olho prá cima e fico tonto
Mas me vem um cidadão
E me diz desconfiado
"Tu tá aí admirado?
Ou tá querendo roubar?"
Meu domingo tá perdido
Vou prá casa entristecido
Dá vontade de beber
E prá aumentar meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que eu ajudei a fazer...
Tá vendo aquele colégio moço
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Fiz a massa, pus cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
Vem prá mim toda contente
"Pai vou me matricular"
Mas me diz um cidadão:
"Criança de pé no chão
Aqui não pode estudar"
Essa dor doeu mais forte
Por que é que eu deixei o norte
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava
Mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a comer...
Tá vendo aquela igreja moço
Onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá foi que valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que Cristo me disse:
"Rapaz deixe de tolice
Não se deixe amedrontar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio, fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asa
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio, fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar"
Hié! Hié! Hié! Hié!
Hié! Oh! Oh! Oh!