sábado, 11 de dezembro de 2010

Sertão Nordestino



No interior do país, nas vastas áreas do sertão, fatores históricos, sociais e econômicos, aliados às características de clima e vegetação, determinam fortes contrastes na paisagem nordestina e no nível de vida da população. Entre os aspectos de natureza físico-geográfica típicos da região, o fenômeno das secas constitui verdadeiro flagelo, responsável pelo permanente êxodo dos sertanejos.
Sertão é uma região geográfica caracterizada pela presença de clima semi-árido, vegetação de caatinga, irregularidade de chuvas, solos secos e rios intermitentes ou temporários. O sertão nordestino compreende as áreas mais secas e distantes do litoral leste do Brasil, situadas nos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Apenas no Ceará e no Rio Grande do Norte o sertão chega até o litoral. O chamado Polígono das Secas totaliza 936.933km2.

O sertão do Nordeste apresenta três formações típicas: 
1- amplas superfícies aplainadas, drenadas ao norte pelos rios Aracaju, Jaguaribe, Apodi e Açu, e a leste pelo São Francisco, o único rio perene da região;

2- maciços cristalinos, cujos esporões mais ocidentais são os da Borborema e das serras de Maranguape e Baturité;

3- chapadas sedimentares, como as de Ibiapaba, do Araripe e do Apodi. Apresenta clima semi-árido, com estação chuvosa no verão, mas há amplas áreas onde predomina o clima tropical chuvoso, com inverno seco. Em alguns trechos, a taxa pluviométrica anual é inferior a 500mm, sucedendo-se, às vezes, vários anos de estiagem. As prolongadas secas determinam a emigração da população pobre.
As superfícies aplainadas são, em geral, cobertas por caatingas, formação vegetal onde predominam arbustos de folhas decíduas; são também abundantes as cactáceas e as bromeliáceas. Nos brejos onde há água durante todo o ano, localizados ora em trechos altos e expostos aos ventos úmidos de sudeste, como a serra Negra, em Pernambuco, ora ao sopé das baixadas sedimentares, como o vale do Cariri, no Ceará, dominavam densas formações florestais, hoje substituídas por culturas de mandioca, cana-de-açúcar e árvores frutíferas. Nas amplas várzeas de solos aluviais, situados nos baixos cursos dos rios que deságuam na costa, proliferam densos carnaubais. Nos espaços vazios existentes praticam-se lavouras de subsistência, enquanto nos tabuleiros cria-se gado bovino.
A densidade demográfica no sertão nordestino é baixa e varia de 5 a 25 habitantes por quilômetro quadrado. Grandes propriedades aí se localizam, quase todas dedicadas à pecuária extensiva e à agricultura.

Bode "O Rei do Sertão"





O primeiro registro de que se tem notícia da presença dos caprinos no Nordeste data de 1535, portanto, no início do período colonial do Brasil. Oriundas dos Pireneus (origem pirenaica), as cabras se fixaram em duas outras regiões da Europa, através das seguintes rotas: uma seguiu na direção dos Alpes e outra na direção da Península Ibérica, notadamente no sul da Espanha e Portugal, regiões compreendidas entre as latitudes 36º e 44° norte, e posteriormente vieram para cá, trazidas pelos colonizadores portugueses. Várias raças foram trazidas para as baixas latitudes dos trópicos, principalmente para o ambiente seco nordestino, o que, ao longo desses quase quinhentos anos, com as cabras enfrentando secas avassaladoras e sofrendo intenso processo de cruzamentos entre si (seleção natural negativa), resultou em animais improdutivos em termos de função leiteira (as fêmeas mal produzem leite para o sustento de suas crias), mas detentores de características genéticas valiosas: a rusticidade, prolificidade e qualidade de pele.
A rentabilidade da criação de cabras no Nordeste está calcada em três fatores principais: a produção do leite, da pele e, por último, da carne. Minimizar o interesse ou mesmo excluir um desses fatores do processo produtivo, certamente trará para o produtor insucessos em sua criação. Nesse caso específico, a agregação de valores nos produtos gerados nesse tipo de pecuária (de múltiplas funções) é a condição vital para o seu sucesso.
No espaço físico onde se cria uma vaca, é possível a criação de 8 cabras. Uma vaca criada nos limites do Semi-árido nordestino produz, em média, 3,5 litros de leite por dia. Uma cabra, melhorada geneticamente produz em média, nas mesmas condições, 1,7 litros. É possível, portanto, a produção de 13,6 litros de leite no mesmo espaço onde se cria uma vaca, com uma vantagem adicional de se estar criando um animal rústico, adaptado ao ambiente e com uma qualidade de leite diferenciada. O leite da cabra é mais digestivo do que o leite de vaca, pelo fato de sua cadeia láctea ser mais reduzida do que aquela presente no leite da vaca, sendo indicado para idosos e para crianças portadoras de problemas de alergias, além de proporcionar ao queijo valor de iguaria qualificada.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

AS TRÊS ÁRVORES


Há muitos e muitos anos atrás, havia no alto de uma montanha três árvores que sonhavam o que seriam depois de grandes.
A primeira, olhando as estrelas disse que queria ser o baú mais precioso do mundo, cheio de tesouros.
A segunda, olhando o riacho suspirou ao dizer que queria ser um navio grande para transportar reis e rainhas.
A terceira olhou para o vale em que estavam e disse que queria ficar ali mesmo no alto da montanha e crescer tanto que as pessoas, ao olharem para ela levantassem os olhos e pensassem em Deus.
Os anos se passaram e, certo dia três lenhadores cortaram as árvores.
As três ficaram ansiosas em serem transformadas naquilo que sonharam, contudo os lenhadores não ouviam ou não entendiam sonhos…
Que pena!
A primeira árvore acabou sendo transformada em um cocho de animais coberto de feno.
A segunda virou um simples barco de pesca, carregando pessoas e peixes todos os dias.
A terceira foi cortada em grossas vigas e colocada num depósito.
Então, todas se perguntaram desiludidas e tristes por que isso acontecera.
Numa bela noite, cheia de luz e estrelas, uma jovem mãe colocou seu bebê recém nascido naquele cocho de animais.
De repente, a primeira árvore descobriu que tinha o maior tesouro do mundo!
A segunda árvore acabou transportando um homem que acabou dormindo num barco, mas quando a tempestade quase afundou o barco, o homem levantou-se e disse:
“Silêncio! Quieto!”
E num relance, a segunda árvore entendeu que estava transportando o Rei do Céu e da Terra.
Tempos mais tarde, numa sexta-feira, a terceira árvore espantou-se quando suas vigas foram unidas em forma de cruz e um homem foi pregado nela.
Logo, sentiu-se horrível e cruel.
Mas, no domingo seguinte, o mundo vibrou de alegria.
E a terceira árvore percebeu que nela havia sido pregado um homem para a salvação da humanidade e que as pessoas se lembrariam de Deus e de seu Filho ao olharem para ela.
As árvores haviam tido sonhos e desejos…
Mas sua realização foi mil vezes maior do que haviam imaginado.
Entregue seus sonhos e seus desejos a Deus.
Ele sempre lhe dará muito mais do que você pode esperar…

A Pecuária e Sua Importancia no Brasil


Definição: Compreende a criação de gado (bovino, suíno e eqüino e etc.), aves, coelhos e abelhas.

A criação de gado bovino é a mais difundida mundialmente devido à utilidade que  apresenta ao homem - força de trabalho, meio de transporte e principalmente fornecimento de carne, leite e couro. O gado bovino compreende três espécies principais: O boi comum (bos taurus), o zebu ou boi indiano (bos indians) e o búfalo (bubalus bubalis).

Finalidades: Atende a duas finalidades básicas: a pecuária de corte e a pecuária leiteira.
A pecuária de corte é a criação destinada ao abate para o fornecimento de carne, as principais raças encontradas no Brasil são: Angus, Hereford, Shorthorn , Devon e etc.(inglesas) Nelore, Gir, Guzerá (indianas) e indu - brasileiras, Red polled, Normanda, Santa Gertudes e etc. (mistas)
A pecuária leiteira é a criação destinada à produção de leite e derivados. As melhores raças surgiram também na Europa daí espalhando-se para o mundo. As principais são: Holandesa, Flamenga e Jersei.



Histórico
Introduzido no Brasil por volta de 1530 em São Vicente (S.P.), e logo após no Nordeste (Recife e Salvador), o gado bovino espalhou-se com o tempo para as diversas regiões do país da seguinte maneira:
de São Vicente, o gado atingiu o interior paulista (região da França) e daí dirigiu-se para as regiões Sul e Centro - Oeste.
do litoral nordestino, o gado se espalhou pelo Vale do São Francisco, Sertão Nordestino, região Norte (P.A.) e M.G.
A partir do séc. XIX  as raças indianas (zebu) foram introduzidas na região Sudeste, principalmente em M.G. , onde adaptaram-se bem e expandiram-se. Seu cruzamento com raças nacionais de qualidade inferior, originou um gado mestiço indubrasil.
No final do séc. XIX iniciou-se a importação de raças européias selecionadas, principalmente para o Sul do país, região que permitiu boa aclimatização e grande expansão.

Importância da Pecuária no Brasil
No decorrer de sua expansão geográfica, a pecuária desempenhou importante papel no processo de povoamento do território brasileiro, sobre tudo nas regiões Nordeste (sertão) e Centro - Oeste, mas também no sul do país (Campanha Gaúcha).

O Rebanho Bovino
O gado bovino representa a principal criação do país, e apresenta como características:

O rebanho brasileiro é na maior parte de baixa qualidade, e portanto de baixo valor econômico;
A relação bovino/habitante no Brasil é muito baixa quando comparado à países Argentina, Austrália e Uruguai.
A idade  média do gado para abate no Brasil é de 4 anos, muito elevada em relação a países como Argentina, E.U.A e Inglaterra (cerca de 2 anos)
O peso médio também é muito baixo ainda, 230 a 240 quilos, contra mais de 600 quilos na Argentina, E.U.A e Inglaterra.
Como conseqüência dos fatores idade e peso, ocorre que a taxa de desfrute (percentual do rebanho abatido anualmente) no Brasil é muito baixa, cerca de 15% a 20% contra 30% da média mundial e 40% dos E.U.A
A pecuária brasileira é caracterizada pelo baixo valor econômico e pelo mau aproveitamento do potencial do rebanho, resultantes principalmente de deficiências tecnológicas tais como:
Zootécnicas: falta de aprimoramento racial;
Alimentos: deficiência das pastagens (a maior parte é natural) e de rações complementares;
Sanitário: elevada incidência de doenças infecto-contagiosas e precária inspeção sanitária.

Principais áreas de Criação


 
Região Sudesteè Possui o 2º maior rebanho bovino do país distribuídos em M.G., S.P., R.J. e E.S.
Nesta região predomina a raça zebu (Nelore, Gir, Guzerá), aparecendo raças européias e mistas, destinadas tanto ao corte como a produção de leite. As principais áreas de gado de corte são:
SP: Alta Sorocabana (Presidente Prudente) e Alta Nordeste (Araçatuba);
MG: Triângulo Mineiro e Centro - Norte do estado (Monte Claros);
ES: Norte do estado (bacia do rio S. Mateus)



As principais áreas de gado leiteiro estão em:
SP: Vale do Paraíba, encosta da Mantiqueira (S. João da Boa Vista, S. José do Rio Pardo e Mococa) e região de Araras Araraquara;
MG: Zona da Mata, região de Belo Horizonte e Sul do estado
RJ: Vale do Paraíba e norte do estado
ES: Sul do estado (cachoeirinha de itapemirim)

OBS.: A região Sudeste possui a maior bacia leiteira e a maior concentração industrial de laticínios no país, abastecendo os maiores mercados consumidores, representados por S.P., R.J. e B.H.

Região Sul

É a que possui o 3º maior rebanho distribuído pelo R.S., P.R. e S.C.
Esta região destaca-se por possuir o rebanho que além de numeroso, é o de melhor qualidade no Brasil. O rebanho é constituído por raças européias (Hereford, Devon, Shorthorn) e conta com técnicas aprimoradas de criação e condições naturais favoráveis, como: relevo suave, pasto de melhor qualidade, clima subtropical com temperaturas mais baixas e chuvas regulares.
No Sul prevalece a pecuária de corte. A principal área de criação é a Campanha Gaúcha , onde se localizam a maior parte do rebanho e importantes frigoríficos, tais como Anglo (Pelotas), Swift (Rosário). A pecuária nesta região destina-se principalmente à obtenção de carne, couro e charque para atender ao mercado interno e externo. A pecuária leiteira é menos importante, aparecendo principalmente nas áreas:
RS: porção norte - nordeste , abrangendo Vacuria, Lagoa Vermelha e Vale do Jacuí;
SC: regiões de lagoas e Vale do Itajaí
PR: porção leste do estado, abrangendo as regiões de Curitiba, Castro e Ponta Grossa.

Além da pecuária bovina, a região Sul possui os maiores rebanhos nacionais de ovinos, concentrados principalmente na Campanha Gaúcha ( Uruguaiana, Alegrete, Santana do Livramento e Bagé) e de suínos, que aparecem no norte - nordeste de R.S. (Santana Rosa e Erexim), sudoeste do Paraná e no oeste catarinense ( concórdia e Chapecó), onde se localizam os principais frigoríficos como a Sadia.

Região Centro - Oeste
Possui o maior rebanho bovino do país, distribuídos por G.O., M.S., M.T. e D.F.
A pecuária do C.O. é predominantemente extensiva de corte e destinada, na maior parte, ao abastecimento de mercado paulista. Apesar de estar disseminada por toda a região, abrangendo tanto as áreas  de cerrado como o pantanal, as maiores densidades de gado aparecem no sudoeste de M.T. (Chapada dos Parecia) e centro - leste (vales dos rios Cristalino e das Mortes), sudeste de G.O. e maior parte de M.S. (pantanal e centro - sul)
A maio parte do C.O., oferece boas possibilidades de expansão pecuária porque  sua posição geográfica é favorável, é muito exterior, tem abundância de pastagens naturais, boa pluviosidade no verão, os preços das terras são mais acessíveis em relação aos do Sudeste e Sul e é próxima do maior centro consumidor do país. Na verdade a quantidade de cabeças vem crescendo, porém a qualidade deixa muito a desejar.
A pecuária leiteira é pouco significativa ainda; aparecendo principalmente na Porção Sudeste de Goiás (Vale do Paraíba), que abastece as regiões de Goiânia e D.F.



Região Nordeste
Possui o 4º maior rebanho bovino do país , concentrado principalmente em: B.A., M.A., C.E., P.E. e P.I.
A pecuária bovina do nordeste é predominantemente extensiva de corte. Apesar de estar difundida por toda a região, a principal área pecuarista é o Sertão.
A pecuária leiteira ocupa posição secundária e está mais concentrada no Agreste, onde se destacam duas bacias leiteiras, a bacia do Recife (Pesqueira, Cachoeirinha, Alogoinhas e Guranhum) e a de Batalha em Alagoas
A produtividade do rebanho nordestino é das mais baixas do país, tanto em carne como em leite.

Região Norte
Possui o menor rebanho bovino do país, concentrado principalmente no estado do Pará. Apesar de ser o menor, foi o que mais cresceu no último decênio.
Nesta região predomina a pecuária extensiva de corte, e as áreas tradicionais de criação correspondem aos campos naturais do:
Pará: Campos de Marajó, médio e baixo Amazonas.
Amazonas: médio Amazonas e as regiões dos rios Negro e Solimões
Acre: Alto Peirus e alto Jureiá
Amapá: Litoral
Rondônia: Vale do rio madeira

Nas ultimas décadas a expansão pecuária na região Norte tem sido muito grande, mesmo a custa de desmatamento indiscriminado, invasão de terras indígenas e restrição das áreas de lavoura. Essas áreas de expansão estão principalmente no leste e sudeste do Pará (Paragominas, Conceição do Araguaia), Amazonas, Rondônia e Acre.
A pecuária leiteira é muito restrita e aparece nas proximidades das capitais Belém, Manaus e etc. Esta região conta com o maior rebanho de búfalos do país, concentrados principalmente na ilha de Marajó (P.A.).

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Agropecuária no Sertão Nordestino

Apesar das adversidades impostas pelo clima, a economia da sub-região do sertão do Nordeste está ligada diretamente à atividade agropecuária, desse modo, para um bom desenvolvimento da mesma é indispensável que o clima contribua oferecendo condicionantes para que ocorra um plantio e que todas as etapas de uma lavoura não sejam prejudicadas por falta de umidade, e assim seus resultados produtivos não sejam influenciados pela composição climática que se apresenta nessa parte da região, especialmente em períodos de estiagem. Diante disso, fica evidente que o sucesso ou fracasso da produção agropecuária nessa sub-região depende exclusivamente das condições climáticas, em especial a chuva, pois é esse bem natural que promove a prosperidade da atividade no sertão.

A agropecuária é uma atividade econômica que abrange tanto a agricultura quanto a pecuária. No sertão, a atividade pecuária (criação de animais) ocupa um lugar de destaque, uma vez que é a principal atividade econômica.

Como essa região ainda não ingressou em um processo de mecanização e modernização efetiva do campo, a pecuária é desenvolvida de forma tradicional ou extensiva, isso quer dizer que os animais são criados em extensas áreas, no caso dos latifúndios, sem maiores cuidados e se alimentam quase sempre de pastagens nativas e não cultivadas, diante disso a produtividade é baixa. Depois da criação de gado, a principal é a produção de caprinos, animais de pequeno porte que resistem às condições mais adversas impostas pelo clima, devido a esse fator o Nordeste detém o maior rebanho dessa espécie no Brasil, com aproximadamente 9 milhões de animais.

Na agricultura, a produção é destinada ao próprio consumo, isso se desenvolve em praticamente todo o sertão, especialmente em pequenas propriedades rurais, nelas a produção é pequena, o trabalho é desenvolvido pelos integrantes da família sem utilização de tecnologias, usando técnicas e instrumentos rudimentares e tradicionais.

Alguns lugares do Sertão nordestino, como as encostas das serras e os vales fluviais, detêm certa umidade que proporciona condições que permitem o desenvolvimento da atividade agrícola, tais como o cultivo de culturas como milho, feijão, arroz e mandioca, além do cultivo de lavouras com fins comerciais como o algodão arbóreo e a soja no oeste da Bahia, ambas com produção destinada ao mercado externo.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Trem-Bala chinês

China quebra recorde de velocidade sobre trilhos




Trem de alta velocidade atingiu velocidades superiores a 480 km/h em linha entre Beijing e Xangai
Linha Beijing-Xangai deve entrar em operação em 2012

Os chineses parecem estar gostando de quebrar um recorde de velocidade após o outro. Alguns dias depois de ter o supercomputador Tianhe-1A no topo da lista dos mais rápidos do mundo, trataram de quebrar um recorde de velocidade sobre trilhos.
A notícia veio do diário chinês Xinhua News. Um trem de passageiros fez o trajeto de uma nova linha ligando as cidades de Beijing e Xangai à velocidade impressionante de 486 km/h, clamam ser um novo recorde de velocidade para trens de passageiros.

A linha deve entrar em operação em 2012, mas os passageiros não irão viajar a essa velocidade, que deve ser reduzida a níveis mais moderados. Mesmo assim, espera-se que o trajeto entre as duas cidades deve ser feito em aproximadamente 5 horas, ou metade do tempo necessário atualmente.

O governo chinês ainda não está satisfeito e já estabeleceu a meta de atingir velocidades de 500 km/h sobre trilhos. Não devem demorar para conseguir a façanha.

Atualmente a China tem mais de 7500 quilômetros de malha ferroviária. Planeja aumentar esse número para 120 mil quilômetros até 2020.

Enquanto isso, o Brasil não consegue tirar do papel uma única linha de trem de alta velocidade. O leilão para a construção do trecho Rio-São Paulo foi adiado para abril de 2011, impossibilitando o início dos serviços a tempo da Copa do Mundo de 2014.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

MARCO REGULATÓRIO DO PRÉ-SAL

O Congresso brasileiro concluiu nesta quinta-feira 02-12-2010 a votação das propostas do governo que alteram a legislação no setor de petróleo, que buscam elevar o controle da União no setor após as grandes descobertas do pré-sal que podem transformar o Brasil em um dos maiores produtores mundiais da commodity.

Uma das medidas mais importantes é a que institui o sistema de partilha de produção no país, que conviverá com o sistema existente de concessões em projetos futuros de petróleo. A Petrobrás deverá ser fortemente beneficiada.

O governo pretende que o sistema de partilha seja adotado para os blocos com maiores potenciais de produção, de modo que o país fique com boa parte do petróleo que será extraído.

Confira abaixo as principais diferenças entre o sistema de partilha de produção e o sistema atual de concessões:

Pagamento em petróleo

Com o acordo de produção partilhada, as companhias envolvidas concordam em dar ao governo um porcentual do petróleo produzido no campo. No sistema de concessão, a companhia fica com todo o petróleo e paga royalties e taxas para o Estado, como a

Participação Especial

O sistema de partilha, assim como o de concessão, envolve leilões entre diferentes companhias disputando os blocos, mas vence a empresa que oferecer repassar para a União o maior porcentual de petróleo. Na concessão, vence quem pagar o maior bônus de assinatura.

Apelo político

O regime de partilha foi utilizado pela primeira vez na Indonésia nos anos 1960, de acordo com estudo do Oxford Institute for Energy, para aumentar o controle do governo, que sempre permitia às companhias petroleiras terem vantagem no sistema de concessão.

A mudança para o regime de partilha reverteu essa relação, no momento em que o governo se tornou dono do petróleo. Essa distinção no entanto não dá garantias ao Estado de um porcentual maior dos retornos financeiros, mas é politicamente apelativa para líderes que querem mostrar que estão no controle dos recursos nacionais.

Prazo para pagamentos

No regime de concessão, as companhias frequentemente fazem amplos pagamentos no ato - geralmente centenas de milhões de dólares em bônus de assinatura - durante as rodadas de oferta de blocos petrolíferos para aumentar as chances de conseguir os direitos de exploração.

No Brasil, o regime de concessão tem ainda o pagamento de Participação Especial, que pode chegar a 40% sobre o lucro da produção de campos de alta produtividade, que são distribuídos entre vários órgãos do governo e aos Estados produtores. A concessão pode ser vantajosa para o governo se houver escassez de orçamento. O regime de partilha geralmente escala os pagamentos ao longo do projeto. Ele também pode incluir bônus de assinatura, embora os valores sejam bem menores do que os do sistema de concessão.

Reservas

As companhias petrolíferas devem informar aos investidores quanto possuem de petróleo não produzido, já que este é um indicador-chave de sua capacidade de manter a produção futura e, portanto, as receitas. As empresas geralmente preferem o sistema de concessão porque ele permite que elas contabilizem o total das reservas nos campos. No sistema de partilha, é possível contabilizar apenas o porcentual de barris que cabe à empresa no acordo, excetuando a parte do governo. Assim, se uma empresa se compromete a dar ao governo 70% do petróleo de um campo, ela pode registrar como suas reservas apenas os restantes 30%.

Estrutura institucional

Os países com experiência limitada em campos de petróleo e instituições estatais fracas geralmente utilizam o regime de partilha por ser mais simples e exigir menos supervisão do governo do que o sistema de concessão. Ele é frequentemente usado por países pobres da África e Ásia Central. Os países com grande habilidade na indústria de petróleo e com capacidade de compilação de taxas, como os Estados Unidos e a Noruega, utilizam mais o sistema de concessão.

Petrobrás e o sistema de partilha

A estatal, que já possui grande parcela dos blocos até agora explorados no pré-sal, será grande beneficiada com o novo marco regulatório. Segundo o projeto, a Petrobrás será a operadora de todos os blocos que forem contratados sob o futuro regime de partilha de produção e terá assegurada uma participação mínima de 30% nesses blocos.