domingo, 10 de outubro de 2010

Poluição dos Rios (02)

 Devido a poluição e as contantes variações naturais do planeta, motivada acima de tudo por nós mesmos, é comum lagos e rios poluídos, porém em alguns lugares esses rios são ‘usados’ como um tipo de praia, de divesão, sei lá pra que mais! Só sei que isso, além de nojento, é extremamente desumano, pois as pessoas parecem mais animais!













Garoto indiano caminha pelas águas poluídas do rio Yamuna, em Nova Delhi. A capital nacional é um dos grande culpado na poluição do Yamuna, que representam cerca de 79% do total de águas residuais que são derramadas no rio. Apesar do governo indiano gastar milhões para tentar limpar o rio, a maior parte dele vai para estações de tratamento de resíduos.
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Um homem recolhe peixes mortos no lago Guanqiao em Wuhan, no centro da província chinesa de Hubei, que morreram devido à poluição da água.

Um córrego poluído coberta de lixo em Manila, Filipinas, em 01 de Março de 2009. O Departamento de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais relatou em 2008 que as Filipinas hospedam 50 grandes rios poluídos, com uma maioria de poluentes provenientes de resíduos domésticos.
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Indianos procuram por moedas e outros itens valiosos, entre as ofertas de devotos no rio Ganges em Varanasi, em 5 de abril de 2009. Estima-se que 2.000.000 pessoas ritualmente banham-se no rio todos os dias, que é considerado sagrado pelos hindus. Embora o Ganges seja considerado santo, os problemas ecológicos são grandes. Ela está repleta de resíduos químicos, esgotos e até mesmo os restos de cadáveres humanos e animais que causam grandes riscos para a saúde, quer por contato com o corpo, ou por consumo.


SINISTRO
 

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Poluição dos Rios


Os rios são muito importantes, pois geram água útil ao nosso consumo: para beber, preparar alimentos, cuidar da higiene pessoal, etc. A água potável proveniente de rios vem sendo ameaçada pela poluição, saiba agora como e por que isso vem ocorrendo:

- Os esgotos domésticos e industriais chegam aos rios sem tratamento algum, a ausência de um tratamento prévio e o despejo indevido só piora o quadro;

- Os materiais orgânicos sintéticos, como plásticos, detergentes, solventes, tintas e inseticidas, são lançados diariamente nos rios;

- Os fertilizantes agrícolas utilizados por agricultores nas plantações são arrastados pelas águas das chuvas para dentro dos rios, o que ocasiona a poluição por agrotóxicos;

- O lançamento de compostos inorgânicos, como os metais pesados (Cu, Zn, Pb, Cd, Hg etc.), em rios é um problema sério, como exemplo temos a poluição por mercúrio, provocada por garimpeiros que buscam ouro.

Você tem conhecimento da água que está consumindo? A água potável, ou seja, própria para o consumo, tem que atender a determinados requisitos e dentre eles podemos citar: Não pode possuir cheiro algum (inodora), nem sabor (insípida) e nem cor (incolor).

A poluição causa alterações físicas na água, que podem ser notadas no cheiro, na cor e no sabor da água; por essas razões é indispensável que a água de rios passe por um tratamento prévio para posterior consumo. Veja os riscos para a saúde que o consumo de água poluída pode trazer:

A água poluída pode conter organismos patogênicos como as bactérias que ocasionam infecções intestinais, epidérmicas e endêmicas, além dos riscos de febre tifóide, cólera, leptospirose. 

Talvez mais perigosa do que o lixo dos esgotos é a poluição química das indústrias, que jogam toneladas e mais toneladas de produtos químicos diretamente nos rios, sem qualquer processo de filtragem.
A exploração de ouro nos rios da Amazônia, por exemplo, usa o mercúrio para separar o ouro de outros materiais. Esse mercúrio, depois de usado, é jogado diretamente nos rios, matando grande quantidade de peixes e plantas. Com isso, nem os seres vivos dos rios podem sobreviver, nem o homem pode usar a água para beber, tomar banho ou regar plantações.

Como Contribuir Para Evitar A Poluição dos Rios
  1. Não jogue lixo nas águas dos rios.
  2. Não canalize esgoto diretamente para os rios.
  3. Não desperdice água, em casa ou em qualquer outro lugar.
  4. Observe se alguma indústria está poluindo algum rio e avise as autoridades sobre a ocorrência.

Esta postagem foi um atendimento a solicitaçãodo amigo Renan Safadão.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Rio São Francisco - Será que agora vai?


O governo continua firme no projeto de transferência de águas do rio São Francisco para abastecer pequenos rios e açudes do Nordeste, veja os prós e contras da proposta de transposição
A previsão inicial era que as obras militares do projeto de transposição do Rio São Francisco fossem encerradas em março de 2010, mas o cronograma teve que ser revisto depois da suspensão na justiça e da polêmica resultante da greve de fome do bispo de Barra, na Bahia, d. Luiz Flávio Cappio. O governo, no entanto, continua firme no projeto que consiste na transferência de águas do rio para abastecer pequenos rios e açudes do Nordeste que possuem um déficit hídrico durante o período de estiagem. Pela proposta de transposição, o Rio São Francisco deve doar cerca de 26,4 m3/s de vazão aos açudes e pequenos rios do Nordeste Setentrional – uma forma de garantir o sustento de famílias que vivem na região.

O projeto prevê a construção de dois canais: o Eixo Norte que levará água para os sertões de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte; e o Eixo Leste que beneficiará parte do sertão e as regiões do agreste de Pernambuco e da Paraíba. O Eixo Norte, iniciado próximo de Cabrobó (PE), percorrerá cerca de 400 km, conduzindo água aos Rios Salgado e Jaguaribe, no Ceará; Apodi, no Rio Grande do Norte, e Piranhas-Açu, na Paraíba e Rio Grande do Norte. Ao cruzar o Estado de Pernambuco, esse eixo levará água para atender os municípios de três sub-bacias do São Francisco: Brígida, Terra Nova e Pajeú. Para atender a região do Brígida, no oeste de Pernambuco, haverá um ramal de 110 km que levará parte da vazão do Eixo Norte para os açudes Entre Montes e Chapéu.

O Eixo Leste, que vai captar água no lago da barragem de Itaparica, em Floresta (PE), terá 220 km de extensão até o Rio Paraíba (PB), após deixar parte da vazão transferida nas bacias do Pajeú, do Moxotó, e da região agreste de Pernambuco. Para o atendimento das demandas dessa última região, o projeto prevê a construção de um ramal de 70 km que interligará o Eixo Leste à bacia do Rio Ipojuca. Além disso, nos dois eixos, estão previstos vários sistemas de distribuição de água (adutoras) para suprir cidades e perímetros de irrigação.

O rio e seus números

-> 2.700 km é a extensão do “Velho Chico”, desde a Serra da Canastra, onde nasce, até a foz, entre os Estados de Sergipe e Alagoas

-> 168 é o número de afluentes do rio, dos quais 99 são perenes e o restante temporário

-> 634 mil km2 é a área da bacia

-> 504 é o número de municípios banhados, pela bacia do São Francisco. Desse total, 48,2% estão na Bahia, 36,8% em Minas Gerais, 10,9% em Pernambuco, 2,2% em Alagoas, 1,2% em Sergipe, 0,5% em Goiás e 0,2% no Distrito Federal

-> 13 milhões é o número de pessoas que habitam a área da bacia (Censo de 2000)

-> 91 m3/s é o consumo atual de água da bacia do “Velho Chico”

-> R$ 4,5 bilhões é o custo estimado da obra de transposição segundo o Ministério de Integração Nacional

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Fundação da Cidade de Brasília



"Deste Planalto Central, desta solidão em que breve se transformará em cerébro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada, com uma fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino".
Juscelino Kubistchek

Brasília, a capital do Brasil, inaugurada em 21 de abril de 1960, continua sendo uma das mais belas e a mais moderna cidade do país. Mas a sua história começa há mais tempo do que a maioria das pessoas imaginam.

O Começo do Sonho

Desde a época do Brasil Colônia, já se pensava em construir uma nova capital.
O Brasil tinha um imenso território e, além das escaramuças de piratas e contrabando de pau-brasil, muitas nações européias foram tornando constantes os seus ataques à costa brasileira, desafiando a Coroa Portuguesa.

De nada valeram os esforços de D. João III em tentar criar um sistema de policiamento da costa do Brasil. Os ataques estrangeiros foram ficando cada vez mais frequentes e revelavam a intenção de algumas nações em ocupar partes do território brasileiro.

Basta lembrar que Salvador, a primeira capital do Brasil, sofreu diversos ataques de piratas ingleses e foi tomada pelos holandeses liderados pelo almirante Willenkens.

Os invasores só foram expulsos da capital brasileira um ano depois.
Aos poucos, alguns brasileiros começaram a perceber que o Brasil estava de costas para o Brasil. Era um povo agrupado no litoral, lançando um olhar nostálgico para o continente europeu.

Surgiriam, então, as primeiras vozes a defender a interiorização do país. Uma nova capital, no interior do Brasil, teria muito mais segurança longe do litoral e dos ataques de canhões das naus inimigas,.
Essa idéia foi defendida pelo Marquês de Pombal, em 1761. A Inconfidência Mineira, em 1789, já demonstrava a insatisfação dos brasileiros com a Coroa portuguesa e um anseio latente por um processo de interiorização do Brasil.
Entre os planos dos inconfidentes estava a transferência da capital do Rio de Janeiro para São João Del Rei. Em 1808, o jornalista Hipólito José da Costa defendia a independência política do Brasil e fundou no exílio, em Londres, o jornal "Correio Braziliense".
Hipólito José da Costa pregava a mudança da capital para o interior do país, que ele chamava de "paraíso terreal".
A Independência do Brasil, em 1822, trouxe mais ânimo para os defensores da interiorização.

Na Assembléia Constituinte de 1823, José Bonifácio defendeu a construção de uma nova capital que, segundo ele, seria uma grande chance de estimular a economia e o comércio. Essa foi a tese que José Bonifácio apresentou no documento que se intitulou "Memória sobre a necessidade e meios de edificar no interior do Brasil uma nova capital".
José Bonifácio chegou a sugerir dois nomes para a nova cidade, que ele imaginou no Planalto Central: Petrópolis e Brasília.
O diplomata e historiador Francisco Adolfo de Varnhagem, Visconde de Porto Seguro, também foi outro importante defensor da mudança da capital. Ele chegou a realizar estudos e também concluiu que a região do Planalto Central seria o local ideal para a nova capital.
Em 1891, na elaboração da primeira constituição republicana, a transferência da capital voltou a ser discutida. Foi aprovada a emenda do deputado catarinense Lauro Müller, que estabeleceu a demarcação de uma área no Planalto Central de 14 mil quilômetros para a construção da nova capital da República.
Aquele foi o primeiro passo constitucional para a mudança. Mas, se você acompanhar os próximos capítulos, verá que houve uma longa jornada, cheia de acidentes políticos, que percorreram a Primeira e a Segunda República.
A Assembléia Constituinte de 1891 aprovou a emenda do deputado Lauro Müller, que propunha a mudança da capital para o interior do país. Coube então ao novo governo republicano organizar uma missão de reconhecimento e demarcação da área do futuro Distrito Federal.
O diretor do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro, Luís Cruls, foi encarregado de chefiar a missão.

Primeiras Concretizações

Em 9 de Junho de 1892, os vinte e dois membros da missão Cruls partiram de trem, com destino a Uberaba, Minas Gerais. Eles levavam quase dez toneladas de equipamentos, como lunetas, teodolitos, sextantes, barômetros e material fotográfico para demarcar a área da futura capital no Planalto Central.
A partir de Uberaba, a expedição seguiu em cavalos e mulas, passando por Catalão, Pirenopólis e Formosa. A missão formada por biólogos, botânicos, astrônomos, geólogos, médicos e militares percorreu mais de quatro mil quilômetros.
Foram sete meses de muitas caminhadas e trilhas percorridas a pé ou em mulas, descobrindo a imensidão do Planalto Central do país.
Através dos relatórios da Missão Cruls, o Brasil pôde, pela primeira vez, conhecer em detalhes o clima, o solo, os recursos hídricos, minerais, a topografia, a fauna e a flora do Planalto Central. Cruls destacou a qualidade do solo pesquisado, suas possibilidades para a agricultura e fruticultura e também o clima da região.
"É inegável que até hoje o desenvolvimento do Brasil tem-se sobretudo localizado na estreita zona de seu extenso litoral, salvo, porém, em alguns dos seus Estados do sul, e que uma área imensa de seu território pouco ou nada tem se beneficiado com este desenvolvimento. Existe no interior do Brasil uma zona gozando de excelente clima com riquezas naturais, que só pedem braços para serem exploradas."
O Arquivo Público do Distrito Federal mantém os documentos originais da expedição. É emocionante verificar os diários, as anotações e dados científicos misturados a pequenos bilhetes de amor dos integrantes da missão endereçados às suas esposas e namoradas.
O Presidente Epitácio Pessoa, amparado na constituição de 1891, lança a pedra fundamental da nova capital do Brasil, no Morro do Centenário, em Planaltina, no estado de Goiás.
O Presidente atendia ao pedido de alguns deputados, entre eles um de nome bastante curioso: Americano Brazil, que disse: "a pedra fundamental, em Planaltina, é um alento para a fibra adormecida do ideal nacional." Americano Brazil seguiu sua cruzada, discursando no Congresso Nacional em defesa da mudança da capital. Ele até lançou um título para a dura caminhada "rumo ao Planalto." Mas nada aconteceu durante um longo tempo.

Era Juscelino

No dia 2 de outubro de 1956, pousou numa pista improvisada, no Planalto Central, um avião da FAB trazendo o Presidente Juscelino Kubitscheck. Na comitiva presidencial estavam o Ministro da Guerra, General Lott, o Governador da Bahia, Antonio Balbino, o Ministro da Viação, Almirante Lúcio Meira, o arquiteto Oscar Niemeyer, a diretoria da Novacap e ajudantes do presidente.
Eles foram recepcionados pelo Governador de Goiás, Juca Ludovico e por Bernardo Sayão. O avião aterrisou às 11:45h, numa manhã de outubro.
Olhando as fotografias daquele ensolarado dia, dá para imaginar o desafio que se apresentava aos olhos do Presidente: o vasto e imenso horizonte de um cerrado virgem, longe de tudo e de todos, sem estradas, sem energia ou sistemas de comunicação.
Juscelino, em seu livro "Por que construí Brasília", conta que "de todos os presentes, o General Lott era o que se mostrava mais desconcertado.
Distanciado-se dos presentes, deixou-se ficar à beira da pista. O presidente lembra em sua obra: " Ao me aproximar dele, não se conteve e perguntou: O senhor vai mesmo construir Brasília, Presidente ?"
Juscelino escreveu no livro de ouro de Brasília: "Deste Planalto Central, desta solidão em que breve se transformará em cerébro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada, com uma fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino".
A primeira visita do Presidente Juscelino Kubitschek ao Sítio Castanho, escolhido para sediar a futura Capital, não foi apenas simbólica. Na ocasião, foram determinados o local para construção do aeroporto de Brasília, a restauração e melhoria das estradas para Goiânia e Anápolis, a construção das estradas entre os canteiros de obras, dos prédios provisórios para os operários e a elaboração do projeto do Palácio da Alvorada.
Mas, antes da conclusão do projeto do Alvorada, um grupo de amigos de Juscelino resolveu presentear o Presidente com uma residência provisória no Planalto.
Nascia, assim, o "Catetinho", primeiro prédio de Brasília, um palácio de tábuas projetado por Oscar Niemeyer.
O nome veio do diminutivo do palácio presidencial no Rio, Palácio do Catete. Niemeyer elaborou um projeto simples, apenas com o uso da madeira e que pudesse ser executado em dez dias. Apesar da simplicidade de seu projeto, o Catetinho traz os traços da arquitetura moderna brasileira.
É como se Niemeyer tivesse criado uma maquete de sua futura e imensa obra na Capital. O Catetinho é um símbolo dos pioneiros, um palácio de tábuas, mas que serviu como a primeira residência de Kubitschek e foi também a primeira sede do Governo na Capital. Foi construído próximo à sede da antiga Fazenda do Gama, onde Juscelino descansou e tomou o seu primeiro cafezinho no Planalto.
Houve quem acreditasse em Brasília e, tão logo a notícia se espalhou, surgiria na poeira do cerrado um herói anônimo: o candango. A expressão candango, que no ínicio teve um tom pejorativo, aos poucos, passou a ser a marca dos pioneiros que se engajaram na aventura de construir Brasília.
A nova capital abria a chance de uma vida melhor. Os candangos foram chegando e erguendo barracos e casas de madeira na cidade provisória. Em dezembro de 1956 eram apenas mil habitantes; em maio de 1958 já havia mais de trinta e cinco mil.
O movimento era frenético, jipes e tratores cortando o cerrado. Um trabalho duro, sem domingo nem feriado. Israel Pinheiro organizou suas equipes de trabalho com uma disciplina de guerra. Dia e noite, sol ou chuva, Brasília não parava.
No dia 19 de setembro de 1956, foi lançado o edital para o concurso do plano piloto, que estabelecia o prêmio de um milhão de cruzeiros para o autor do projeto vencedor.
A nova capital nascia sob o signo de uma grande aventura e havia a expectativa de se encontrar um projeto que imprimisse a contemporaneidade e a ousadia esperada de Brasília.


Sonho realizado 

Cabe lembrar que a arquitetura moderna brasileira despontara a partir de 1927 com a construção da primeira casa modernista de Warchavchik, em São Paulo. Rino Levi, Lúcio Costa, Álvaro Vital Brazil, o polêmico Flávio de Carvalho e Oscar Niemeyer deram grande impulso à criação da arquitetura moderna no país.
Era grande a influência das idéias de arquitetos como Mies Van der Rohe, Frank Loyd Wright, Gropius e, sobretudo, o grande mestre Le Corbusier, que teve imensa importância na formação e avanço da moderna arquitetura no Brasil.
Até o dia 11 de março de 1957, a comissão julgadora do concurso tinha recebido 26 projetos, num total de 63 inscritos. Dentre os jurados estavam o arquiteto Oscar Niemeyer, um representante do Instituto de Arquitetos do Brasil, outro do Clube de Engenharia do Brasil, bem como o urbanista inglês William Holford, o francês André Sive e o americano Stamo Papadaki. Havia projetos ousados e até mesmo curiosos como o de M.M.M Roberto, que previa uma cidade construída em sete módulos circulares com 72.000 habitantes em cada módulo.
No projeto de Rino Levi, Cerqueira Cezar e Carvalho Franco, seriam construídos superblocos de 300 metros de altura, que abrigariam 288.000 pessoas.
O projeto escolhido foi o de Lúcio Costa, que nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar, promovendo o encontro de dois eixos. Um conceito simples e universal.
Lúcio Costa foi o vencedor, não pelo seu detalhamento, que era pobre perto de outros concorrentes, que apresentaram maquetes, croquis e estatistícas, mas pela concepção urbanística e pela fantástica descrição de seu estudo. Não deixa de ser curioso que num concurso urbanístico, as palavras tenham vencido o detalhamento técnico.
Mas Lúcio Costa tratava as palavras com a precisão de um poeta, era a obra de um ser livre que se permitiu sonhar. O próprio Lúcio Costa destaca, entre os "ingredientes" da concepção urbanística de Brasília, as lembranças dos gramados ingleses de sua infância, das auto-estradas americanas, dos altiplanos da China e da brasileríssima Diamantina.
Lúcio Costa planejou uma Brasília moderna, voltada para o futuro, mas ao mesmo tempo "bucólica e urbana, lírica e funcional".
Ele eliminou cruzamentos para que o tráfego dos automóveis fluísse mais livremente, concebeu os prédios residenciais com gabarito uniforme e construídos sobre pilotis para não impedir a circulação de pessoas.
Uma cidade rodoviária com amplas avenidas e vasto horizonte, valorizando o paisagismo e os jardins. O plano de Lúcio Costa foi, contudo, vago no que se referia à expansão imobiliária e à criação de bairros operários.
Ele diz na memória descritiva do Plano Piloto: deve-se impedir a enquistação de favelas tanto na periferia urbana quanto na rural. Cabe à Companhia Urbanizadora prover, dentro do esquema proposto, acomodações decentes e econômicas para a totalidade da população.
Não foi preciso que muitos anos se passassem para que surgissem problemas ligados à habitação popular que, durante a própria construção da capital foram chamados de invasões e se multiplicaram.
Todos os dias, novos barracos eram erguidos na chamada Cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante, e também próximos aos canteiros de obras. Os operários, que trabalhavam na construção da cidade, não pretendiam abandonar a Capital depois de sua inauguração.
As cidades satélites não surgiram como fruto de um plano detalhado, conforme o que regia a construção do Plano Piloto, mas pela urgência imposta pelas invasões. Em junho de 1958, nascia a primeira cidade satélite, propriamente dita: Taguatinga, construída às pressas para abrigar 50.000 pessoas, em sua maioria operários com suas famílias.
As Satélites, aos poucos, se transformariam em importantes centros econômicos. Depois de Taguatinga, Israel Pinheiro iniciou a construção de outras Satélites: Sobradinho, Paranoá e Gama.
Durante três anos, Brasília viveu um ritmo de trabalho alucinante. O Presidente Juscelino Kubitscheck vistoriava as obras pessoalmente com Israel Pinheiro.
Os partidos de oposição alegavam que Brasília não ficaria pronta no prazo e insistiam para que adiassem a transferência da Capital.
Brasília, vencendo os prognósticos pessimistas da oposição, foi inaugurada em 21 de abril de 1960, com toda pompa que a capital merecia .
Hoje, Brasília é uma bela cidade como no sonho de um homem que um dia vislumbrou o futuro de olhos bem abertos.

O que foi o Apartheid na África do Sul?

O termo, em africâner, língua dos descendentes de europeus, significa "separação", e foi atribuído ao regime político de segregação dos negros na África do Sul, que durou, oficialmente, 42 anos

Entrada do Apartheid Museum, em Joanesburgo, África do Sul: 
'brancos' e 'nao'brancos'
Entrada do Apartheid Museum,
em Joanesburgo, África do Sul:
"brancos" e "não brancos".

Nelson Mandela deixou a prisão há 20 anos, no dia 11 de fevereiro de 1990. A liberdade do líder foi o mais forte sinal do fim do regime de segregação racial na África do Sul, o apartheid.
Colonizada a partir de 1652 por holandeses e tendo recebido imigrantes de outras partes da Europa e da Ásia, a África do Sul tornou-se, em 1910, uma possessão britânica. Desde a chegada dos primeiros europeus, há mais de três séculos, a história do país africano, que será a sede da Copa do Mundo em 2010, foi marcada pela discriminação racial, imposta pela minoria branca.
Como protesto a essa situação, representantes da maioria negra fundaram, em 1912, a organização Congresso Nacional Africano (CNA) à qual Nelson Mandela, nascido em 1918, se uniu décadas depois. No CNA, Mandela se destacou como líder da luta de resistência ao apartheid.
O pai de Mandela era um dos chefes da tribo Thembu, da etnia Xhosa e, por isso, desde cedo, o garoto foi educado e preparado para assumir a liderança de seu povo. "Ele recebeu o melhor da Educação de sua tribo e foi iniciado em todos os rituais. Mas também teve o melhor da Educação europeia, estudando em bons colégios”, explica Carlos Evangelista Veriano, professor de História da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).
O apartheid oficializou-se em 1948 com a posse do primeiro-ministro Daniel François Malan, descendente dos colonizadores europeus - também chamados de africâners. “Embora a história oficial omita, sabemos que os ingleses foram os financiadores do apartheid, já que o Banco da Inglaterra custeava todos os atos do governo sul-africano”, afirma Veriano.
Com o novo governo, o apartheid foi colocado em prática, instituindo uma série de políticas de segregação. Os negros eram impedidos de participar da vida política do país, não tinham acesso à propriedade da terra, eram obrigados a viver em zonas residenciais determinadas. O casamento inter-racial era proibido e uma espécie de passaporte controlava a circulação dos negros pelo país. “É importante lembrar que essa política teve clara inspiração nazista”, diz o professor.
Embora tenha sido preso diversas vezes antes, Mandela já cumpria pena desde 1963 quando recebeu a sentença de prisão perpétua. Porém, com o passar dos anos, o mundo passou a se importar mais com a inadmissível situação da África do Sul, que começou a receber sanções econômicas como forma de pressão para acabar com o apartheid. Em 1990, com o regime já enfraquecido, Mandela foi solto, depois de 27 anos no cárcere. O governo, liderado por Frederik De Klerk, revogou as leis do apartheid. Três anos depois, Mandela e Klerk dividiram o Prêmio Nobel da Paz.
Em 1994, nas primeiras eleições em que os negros puderam votar, Mandela foi eleito presidente do país. O filme Invictus, dirigido por Clint Eastwood, em cartaz atualmente nos cinemas, tem como foco a história de Mandela (interpretado por Morgan Freeman) logo que ele assume a presidência. A obra mostra como o líder governou não com a intenção de se vingar dos brancos, mas sim de realmente transformar o país em uma democracia para todos.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Muro de Berlin - Linha do tempo








1961 Construção do muro na cidade de Berlim, dividindo a capital alemã em duas: Berlim Ocidental e Berlim Oriental. Da mesma forma, a Alemnaha foi separada em República Federal da Alemanha (RFA), que integrava o bloco dos países capitalistas, e República Democrática Alemã (RDA), pertencente ao grupo dos países comunistas. Dessa forma, o muro simbolizava a Guerra Fria.

1989 Um decreto assegura a destruição do Muro de Berlim, que começou a ser derrubado no dia 9 de novembro, marcando o início do processo de reunificação do país.

1990 Um tratado internacional assinado em Moscou por União Soviética, Grã- Bretanha, França e Estados Unidos devolve a soberania ao país, e a Alemanha volta a ser unificada. É adotada uma moeda única e o modelo capitalista, antes restrito ao lado ocidental, é expandido.

1991
A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) é dissolvida e o comunismo perde sua força no mundo. Termina o período conhecido por Guerra Fria - disputa entre comunistas e capitalistas iniciada após a Segunda Guerra Mundial, em 1945.

2009 Hoje, a Alemanha é a maior potência da União Europeia e a terceira maior força econômica do mundo. É polo produtor de tecnologia, referência no sistema de segurança social, desenvolvimento de fontes de energia renovável e uma das maiores exportadoras de armas.

O Golpe de 1930: 80 anos da chegada de Getúlio Vargas ao poder

         

O Brasil era uma terra de contrastes em 1930: um país dominado pelas oligarquias cafeeiras, que através da política dos governadores e da política do café-com-leite dominavam o cenário político, mas que já apresentava elementos de um mundo urbano e industrial que havia começado a se estruturar com mais proeminência nas primeiras décadas do século XX.
A crise política do governo Washington Luís e a quebra da Bolsa de Valores de Nova York de 1929, e suas ressonâncias na economia brasileira, com a drástica diminuição das exportações do café, proporcionariam inúmeras mudanças nos rumos do país. A falência de grande parte dos cafeicultores romperia com o sistema do café-com-leite, pois, nas eleições de 1930, os fazendeiros paulistas exigiram que Washington Luís lançasse outro paulista (Júlio Prestes) como seu sucessor, destruindo a aliança entre São Paulo e Minas Gerais.
As oligarquias mineiras, apoiadas por alguns tenentistas, contra-atacaram lançando uma chapa oposicionista, a “Aliança Liberal”, formada pelo gaúcho Getúlio Vargas e pelo paraibano João Pessoa. A plataforma de oposição baseava-se num esquema de reformas políticas, como a instituição do voto secreto, anistia política e criação de uma legislação trabalhista.
Nas eleições de 1930, as fraudes permitiram a apertada vitória de Júlio Prestes. No Sul, Getúlio Vargas iniciou as negociações políticas com os grupos vencedores. Parecia que, mais uma vez, as mudanças políticas seriam adiadas.
Entretanto, em 26 de julho de 1930 João Pessoa foi assassinado pelo advogado João Dantas. Aquele episódio, que a princípio não guardava características políticas, deu-se por motivos passionais, acabou servindo como o mote que a oposição esperava para fazer uma revolução.

Neste contexto, os integrantes da Aliança Liberal comandaram tropas que se deslocaram do Rio Grande do Sul para o Rio de Janeiro. Sem grandes problemas, Vargas chegou ao Rio de Janeiro no início de outubro. No dia 24, Washington Luís foi deposto pelo golpe e Getúlio Vargas assumiu a chefia do Governo Provisório. Acabava, assim, a chamada “República Oligárquica”.