sexta-feira, 2 de julho de 2010

As Sub-Regiões Nordestinas

Formada pelos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, a região Nordeste possui extensão territorial de 1.554.257,0 quilômetros quadrados. Conforme contagem populacional, realizada em 2009, pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), sua população totaliza 53.591.197 habitantes.

Esse complexo regional brasileiro apresenta grande diversidade no que se refere aos aspectos físicos, sociais e econômicos. A heterogeneidade das características físicas do Nordeste é responsável pela sua subdivisão, sendo composta por: Meio-Norte, Sertão, Agreste e Zona da Mata. Compreender as peculiaridades dessas sub-regiões é de fundamental importância para a análise das relações sociais ali estabelecidas, além de proporcionar um efetivo conhecimento dessa região marcada por abordagens preconceituosas.


Localização das sub-regiões nordestinas

Meio-Norte: é formado pelos estados do Maranhão e Piauí (porção oeste). Essa sub-região corresponde a uma faixa de transição entre a Floresta Amazônica e o Sertão semiárido do Nordeste, onde a vegetação natural predominante é a Mata dos Cocais. Os índices pluviométricos dessa sub-região são mais elevados conforme se aproxima da Floresta Amazônica.
A economia é baseada no extrativismo vegetal, pecuária extensiva, agricultura tradicional de algodão, cana-de-açúcar e arroz.

Sertão: ocupando a maior parte do Nordeste, o Sertão compreende os estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, João Pessoa, Rio Grande do Norte, Sergipe (extremo noroeste), Alagoas (oeste) e Piauí (porção leste). Essa parte do território nordestino é uma extensa área de clima semiárido, conhecido como “Polígono das Secas”. As chuvas nessa região ocorrem de forma irregular, predominando longos períodos de secas. Em virtude das condições climáticas, a caatinga é o bioma representativo.
As principais atividades econômicas desenvolvidas no Sertão nordestino são: a pecuária extensiva e de corte, além do cultivo irrigado de frutas, flores, cana-de-açúcar, milho, feijão, algodão, extração de sal (Ceará e Rio Grande do Norte) e o turismo nas cidades litorâneas.

Agreste: formado pelos estados do Rio Grande do Norte, João Pessoa, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, o Agreste ocupa uma faixa estreita do Nordeste, estando presente na porção central desses estados. Essa é uma área de transição entre o Sertão semiárido e a Zona da Mata. A pecuária extensiva é desenvolvida nos trechos mais secos; nas partes mais úmidas predomina a agricultura de subsistência e a pecuária leiteira.

Zona da Mata: abrange a faixa litorânea dos estados do Rio Grande do Norte, João Pessoa, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Também conhecida como Litoral Continental, essa sub-região apresenta a maior concentração populacional do Nordeste e o maior índice de urbanização. Predomina o clima tropical úmido, tendo a Mata Atlântica como o principal bioma. O turismo nessa região é uma das principais fontes de receitas. Outro forte destaque é o cultivo de cana-de-açúcar, cacau, café, frutas, fumo, além de indústrias e produção de petróleo (Rio Grande do Norte e Bahia).

Os tipos de extrativismo

O extrativismo
São as atividades de coleta de produtos naturais, sejam estes produtos de origem vegetal, animal, ou mineral.
Esses produtos podem ser cultivados para fim comerciais, industriais e para subsistência, e ela é a atividade mais antiga desenvolvida pelo ser humano.

Extrativismo vegetal
É um processo de exploração dos recursos vegetais nativos (ou seja, naturais de um lugar), onde a pessoa apenas coleta ou apanha os produtos que vai encontrando em uma região. Não é um processo que produz muito, porque a pessoa tem que vagar pela mata ou campo à procura do seu objetivo: madeira, borrachas, ceras, fibras, frutos, nozes, produtos medicinais etc.
A exploração da madeira é a principal atividade extrativa vegetal no Brasil. A madeira é retirada principalmente na Amazônia, provocando o desmatamento da floresta.
Além da madeira, são extraídos produtos como a castanha-do-pará, o palmito, o látex de seringueira, o babaçu, e muitos outros produtos em todo o Brasil.
Alguns desses produtos são extraídos de forma muito tradicional, não ocasionando um impacto tão grande na natureza como no caso da castanha-do-pará.


Catanha-do-pará um produto de extração

Extrativismo animal
No passado, para conseguir parte de seus alimentos, os seres humanos praticavam a pesca e a caça de animais. Atualmente existem técnicas mais desenvolvidas para a pesca comercial, apesar da pesca artesanal e a esportiva serem praticadas de modo tradicional.
A caça é uma atividade que deve ser controlada para que alguns animais não entrem em processo d extinção.

Extrativismo mineral
O extrativismo mineral trata da exploração dos recursos minerais da terra para posterior transformação nas indústrias, ou para consumo imediato, caso da água mineral. O Extrativismo Mineral é responsável pela grande transformação no ambiente onde ele é praticado, pois normalmente é encontrado no subsolo. O extrativismo mineral é um grupo que contém esses seguintes itens: Água, rochas, fogo, ar, sal, entre outros...
Existem dois tipos de extrativismo mineral: aquele que emprega tecnologia reduzida, como o garimpo de ouro em rios, e o que utiliza equipamentos sofisticados e técnicas avançadas, como a exploração e extração de petróleo.


Extração de ouro em rio

Estrutura Interna da Terra

A Terra é formada por diferentes camadas:

  • a crosta, feita de materiais mais leves
  • o manto, camada intermediária
  • o núcleo, formada de materiais mais densos e pesados

A crosta, camada mais externa, pode ser separada didaticamente em crosta oceânica e crosta continental. Uma outra divisão permite distinguir a litosfera, uma camada rochosa que mede entre 70 e 100 km de profundidade e que inclui a crosta oceânica e continental e parte do manto superior. A litosfera é formada por placas rígidas e móveis, as placas tectônicas, que desliza sobre a astenosfera, onde o material está em estado de semifusão. Mais abaixo da litosfera e da astenosfera temos a mesosfera. A endosfera é aparte mais ao centro, formada por níquel e ferro (NiFe).

Camadas da Terra

Camadas da Terra

A crosta, camada mais externa, é formada por rochas e minerais. Rochas são um agregado natural composto de alguns minerais ou de um único mineral. Minerais são compostos sólidos e cristalinos de elementos químicos. Quanto a sua origem, uma rocha pode ser cristalina (magmática), sedimentar ou metamórfica. Rochas cristalinas são as que, como o nome indica, geralmente formam cristais no processo de solidificação do magma. O magma pode solidificar-se no interior ou no exterior da terra, sendo então as rochas cristalinas divididas em intrusivas (plutônicas) e extrusivas (vulcânicas). As rochas cristalinas extrusivas são as que se formam na expulsão do magma, e como exemplo temos o basalto e a obsidiana. Devido à velocidade com que se expelem, não é possível a formação de macrocristais. As rochas cristalinas intrusivas são as formadas pelo resfriamento lento do magma no interior da Terra, o que possibilita a formação de cristais visíveis. São exemplos o granito e o diorito.

Basalto

Basalto

Granito

Granito

Rochas sedimentares são, como o nome indica, formadas a partir da compactação de sedimentos oriundos da erosão, do transporte e da deposição de minerais. São rochas sedimentares a areia, o calcário (usado na correção do pH do solo para a agricultura, na produção de giz e na fabricação de vidro) e o arenito.

As rochas metamórficas (de metamorfose, transformação) são rochas outrora cristalinas, sedimentares ou metamórficas que, pela ação do calor ou da pressão do interior da Terra, adquiriram estrutura diversa da original. O gnaisse (o Pão-de-Açúcar, no Rio de Janeiro, é uma formação rochosa em gnaisse) e o mármore são exemplos de rochas metamórficas.

Chama-se estrutura geológica o conjunto de diferentes rochas de um lugar e os processos por elas sofridos, o que dá a cada terreno uma configuração ímpar. Há três tipos básicos de estutura geológica na crosta terrestre: escudos cristalinos (crátons), bacias sedimentares e faixas orogênicas (de montanhas).

Crátons são rochas cristalinas e metamórficas muito antigas, das eras Pré-Cambriana e Paleozóica. Apresentam-se sempre desgastados e por isso com baixas atitudes, em função do longo processo erosivo a que estiveram expostos. Quando expostos à erosão, levam o nome de escudos. Quando recobertos por terrenos sedimentares, são chamados de embasamentos cristalinos.

Bacias sedimentares são o resultado da acumulação gradual de sedimentos nas depressões existentes nos escudos. Temos bacias originadas no Paleozóico, Mesozóico e Cenozóico (era atual).

Forças internas (dobramentos) também são capazes de produzir cadeias de montanhas, ou faixas orogênicas. Há dois tipos de dobramentos, quanto à antiguidade: os dobramentos antigos, como o movimento laurenciano, do período Pré-Cambriano, que deu origem às serras do Mar e da Mantiqueira no Brasil e os modernos, que não constam no território brasileiro e deram origem às mais altas cadeias de montanhas existentes na Terra, como os Andes e o Himalaia.

Domínios Morfoclimáticos

Na década de 1960, o célebre geógrafo brasileiro Aziz Nacib Ab’Saber reuniu as principais características do relevo e do clima das regiões brasileiras, de modo a formar, juntamente com outros elementos naturais da paisagem, o que chamou domínios morfoclimáticos. Os domínios morfoclimáticos são a síntese de vários elementos naturais característicos a uma paisagem, o que lhe torna particular. Pelo Brasil, foram divididos em:
  • Domínio amazônico, de terras baixas e florestas equatoriais;
  • Domínio do cerrado, de chapadões tropicais interiores com cerrados e matas de galeria (ciliares);
  • Domínio dos mares de morros, de áreas mamelonares tropical-atlânticas florestadas;
  • Domínio da caatinga, com depressões intermontanas e interplanálticas semi-áridas;
  • Domínio da araucária, de planaltos subtropicais com araucárias; e
  • Domínio das pradarias, coxilhas (colinas localizadas em regiões de campos, pouco ou muito elevada) subtropicais com pradarias mistas.

Por ser formados por fatores naturais, entre os domínios não há fronteira exata e brusca mudança, mas sim áreas de transição, com características dos dois domínios separados. Um domínio morfoclimático é uma zona mais abrangente que um bioma, e num mesmo domínio podem-se reconhecer o bioma preponderante, o secundário e pequenos ecossistemas. No cerrado, por exemplo, a savana (cerrado) predomina, mas encontram-se também a caatinga e ecossistemas como matas de galeria (ciliares).


Segundo o IBAMA, o território brasileiro abriga sete biomas, três zonas de transição, 49 ecorregiões e inúmeros ecossistemas. Por ecorregião entende-se um conjunto de comunidades naturais, distintas geograficamente, que compartilham a maioria das suas espécies, processos ecológicos e condições ambientais similares. Estes são os sete biomas brasileiros: amazônia, mata atlântica, caatinga, cerrado, pantanal, campos sulinos (pampa) e biomas costeiros (manguezais, restingas e dunas).

sábado, 26 de junho de 2010

O ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO - IDH




Desde 1990, os relatórios divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) nos permitem realizar algumas comparações entre a qualidade de vida da população dos diversos países do planeta utilizando o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Este índice reflete as condições de três variáveis básicas para uma boa qualidade de vida: a expectativa de vida ao nascer, a escolaridade e o Produto Interno Bruto per capita. Veja o que significam essas variáveis:

* Expectativa de vida ao nascer – se a população apresenta uma expectativa de vida elevada, isto indica que as condições de saneamento básico, alimentação, assistência médico-hospitalar e moradia são boas, além de haver o acesso a um meio ambiente saudável.

* Escolaridade – quanto maior o índice de escolarização da população, melhor o nível de desenvolvimento, exercício da cidadania, produtividade do trabalho etc.

* Produto Interno Bruto per capita – o Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de tudo o que foi produzido pela economia de um país no período de um ano. O PIB de um país dividido por sua população corresponde à renda per capita, que é o valor que caberia, em média, a cada pessoa.

No cálculo do IDH, o PIB é ajustado ao poder de compra da moeda nacional, porque os gastos com alimentação, saúde e moradia variam muito de um país para outro.

Essas três variáveis são expressas em uma escala que varia de 0,0 a 1,0: quanto mais baixo o índice, piores são as condições de vida; quanto mais próximo de 1,0, mais elevada é a qualidade de vida da população em geral.

Os países são divididos em três categorias:

- baixo desenvolvimento humano: IDH menor que 0,500

- médio desenvolvimento humano: IDH entre 0,500 e 0,799

- alto desenvolvimento humano: IDH de 0,800 ou mais.

Geo-Humor Copa do Mundo - Dunga e Maradona

HIDRELÉTRICAS NA AMAZÔNIA

Usinas hidrelétricas geram eletricidade a partir de dois fatores, a queda d’água e a vazão do rio. A potência de uma usina hidrelétrica está associada ao produto destes dois fatores.

Aproveitamento hidrelétrico é economicamente viável desde que apresente queda d’água expressiva ou grande vazão. Nem se discute se a queda e a vazão são grandes. Usinas de baixa queda d’água necessitam de grande vazão.

A Amazônia é uma extensa planície atravessada por rios de grande vazão e baixa declividade, com expressiva variação de nível entre a época da cheia e da vazante.
Aproveitamento hidrelétrico na Amazônia, para ser economicamente viável, requer a formação de grandes reservatórios, com alterações ambientais de consequências imprevisíveis e altos custos sociais.

Os povos tradicionais, nativos e quilombolas residentes na região amazônica não são contemplados com os benefícios da energia ali gerada. Há um vazio energético na região, basta consultar os mapas disponibilizados pela ONS – Operador Nacional do Sistema. Pior que isso, a parca energia disponibilizada tem o maior custo dentre as regiões do Brasil, o que pode ser constatado através do documento “Indicadores de Competitividade na Indústria Brasileira”, emitido pelo CNI – Confederação Nacional da Indústria.

Tomando-se como exemplo a usina hidrelétrica de Tucuruí, foram construídos milhares de quilômetros de linhas de transmissão de energia elétrica para conectá-la ao SIN – Sistema Integrado Nacional, mas nenhum para energizar as cidades e comunidades da margem esquerda do Rio Amazonas, a região chamada Calha Norte.

A Compensação Financeira rateada entre os Estados e Municípios afetados na área de produção da energia corresponde a 6% do faturamento calculado pela TAR – Tarifa Atualizada de Referência, enquanto que os Estados consumidores recebem mais de 25% através do ICMS.

Enquanto os povos da Amazônia são taxados de egoístas por sua restrição à construção das usinas, Estados como São Paulo e Paraná se dão ao luxo de rejeitar novos aproveitamentos hidrelétricos nestes Estados baseados nos mesmos argumentos que negam àqueles.

Há um preceito financeiro que estabelece que não se pode gastar mais do que se recebe. Isto também deve ser seguido com relação à energia. O modelo desenvolvimentista está baseado puramente no crescimento, não na estabilidade sustentável. Há um limite e, quanto mais cedo a ele nos adaptarmos, se oportunidade ainda houver, menos traumático será.

Resumo:

Enquanto os povos da Amazônia são taxados de egoístas por sua restrição à construção das usinas, Estados como São Paulo e Paraná se dão ao luxo de rejeitar novos aproveitamentos hidrelétricos nestes Estados baseados nos mesmos argumentos que negam àqueles.