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quinta-feira, 1 de março de 2012

Nordeste

A Região geoeconômica do Nordeste do Brasil é a área de povoamento mais antigo e atualmente é a segunda do país em população e em PIB. Tem uma área de aproximadamente 1.542.271 km², o que representa 20% do território brasileiro. Inclui todo o Nordeste da divisão oficial (menos a metade oeste do Maranhão) e o norte de Minas Gerais, onde se localizam as mesorregiões mineiras Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha.
A maior parte de seu território é formada por extenso planalto, antigo e aplainado pela erosão. Em função das diferentes características físicas que apresenta, a região encontra-se dividida em quatro sub-regiões: meio-norte, sertão, agreste e zona da mata, tendo níveis muito variados de desenvolvimento humano ao longo de suas zonas geográficas[1].
Esta região já representou por séculos mais da metade da demografia e economia do país, mas acabou perdendo espaço graças ao geo-centralismo excessivo concentrador brasileiro típico (uma das características mais marcantes do lado oriental lusófono da América Meridional). Esse geo-centralismo prejudicou muito os menores municípios da região que perderam recursos humanos irrecuperáveis pra zonas como São Paulo, Brasília, etc. Migrantes rurais num desorganizado processo de desruralização da economia brasileira correram para as periferias das cidades gerando favelas ribeirinhas intermináveis e todos os problemas destas oriundas (porém a culpa não foi totalmente deles e sim do governo central que privilegiou certos municípios de certos estados e regiões em detrimento dos demais, a exemplo de municípios do semi-árido, que sempre precisaram de mais investimentos e foram justamente quem menos subsídios receberam em investimentos privados e federais massivos - basta relembrar que nos Acordos de Washington, Getúlio Vargas captou recursos alugando o litoral do Nordeste Setentrional aos americanos, mas o dinheiro captado foi todo investido fora do Nordeste Setentrional, ou seja, nas regiões privilegiadas por ele e pela ditadura militar localizadas nos principais municípios via-dutrinos).



sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Sub-regiões do Nordeste - Agreste



Agreste – corresponde à área de transição entre o sertão semiárido e a zona da mata, úmida e cheia de brejos. Essa sub-região é composta pelos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. A principal atividade econômica nos trechos mais secos do agreste é a pecuária extensiva; nos trechos mais úmidos é a agricultura de subsistência e a pecuária leiteira. Predominam as pequenas e médias propriedades com o cultivo do algodão, do café e do sisal (planta da qual se extrai uma fibra utilizada para fabricar tapetes, bolsas, cordas, etc.). Outro elemento de destaque na economia local é o turismo, com a realização de festas que atraem multidões, como, por exemplo, as festas juninas.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sub-regiões do Nordeste - Sertão




Sertão – é uma extensa área de clima semiárido, conhecido como “Polígono das Secas”. Compreende o centro da Região Nordeste, está presente em quase todos os estados. Essa sub-região nordestina possui o menor índice demográfico da Região.
Os índices de pluviosidade são baixos e irregulares, com a ocorrência periódica de secas. A vegetação típica é a caatinga. A bacia do rio São Francisco é a maior da região e a única fonte de água perene para as populações que habitam suas margens, é aproveitado também para irrigação e fonte de energia através de hidrelétricas como a de Sobradinho (BA). As maiores concentrações populacionais estão nos vales dos rios Cariri e São Francisco. A principal atividade econômica é a pecuária extensiva e de corte. Outras atividades desenvolvidas no Sertão são: cultivo irrigado de frutas, flores, cana de açúcar, milho, feijão, algodão de fibra longa (no Vale do Cariri, Ceará), extração de sal (litoral cearense e potiguar) e o turismo nas cidades litorâneas. A indústria baseia-se no polo têxtil e de confecções. Políticas públicas são necessárias para o desenvolvimento socioeconômico no Sertão nordestino, proporcionado qualidade de vida para sua população

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sub-Regiões do Nordeste - Meio-Norte



Meio-norte – é uma faixa de transição entre a Amazônia e o sertão semiárido do Nordeste, é composta pelos estados do Maranhão e oeste do Piauí. A vegetação natural dessa área é a mata de cocais, carnaúbas e babaçus, em sua maioria. Apresenta índices pluviométricos maiores a oeste. É uma região economicamente pouco desenvolvida, prevalece o extrativismo vegetal, praticado na mata de cocais remanescente (babaçu), agricultura tradicional de algodão, cana de açúcar e arroz, além da pecuária extensiva.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Sub-Regiões do Nordeste - Zona da Mata




Zona da Mata – também conhecida como Litoral Continental, essa sub-região compreende uma faixa litorânea de até 200 quilômetros de largura que se estende do Rio Grande do Norte ao sul da Bahia. Apresenta a maior concentração populacional do Nordeste e é a sub-região mais urbanizada. O clima é tropical úmido e o solo é fértil em razão da regularidade de chuvas. A vegetação natural é a mata Atlântica. O cultivo da cana de açúcar é a principal atividade econômica praticada na Zona da Mata. Outras atividades econômicas desenvolvidas são: extração de petróleo, o cultivo de cacau, café, frutas, fumo, lavoura de subsistência, significativa industrialização, destaca-se também a produção de sal marinho, principalmente no Rio Grande do Norte, além da atividade turística que atraí milhões de visitantes para as belas praias nordestinas.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Região Nordeste




O Nordeste é a Região brasileira que possui a maior quantidade de estados, nove ao todo (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe). Sua extensão territorial é de 1.554.257,0 Km2 e, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), abriga uma população de 53.081.950 habitantes.

Em razão das diferentes características físicas que apresenta, a Região Nordeste é dividida em quatro sub-regiões: meio-norte, zona da mata, agreste e sertão. Compreender as peculiaridades das sub-regiões nordestinas é de fundamental importância para a análise das relações sociais ali estabelecidas, que refletem diretamente nas atividades econômicas desenvolvidas.

Normalmente, o Nordeste é visto como um local de pobreza, seca e outros problemas de ordem socioeconômica. No entanto, deve-se romper com essas ideias preconceituosas, o estudo das sub-regiões proporciona uma análise aprofundada sobre essa região tão rica em belezas naturais e manifestações culturais.


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Questão Agrária Brasileira














O espaço rural compreende as áreas de um território ocupadas essencialmente pelas atividades ligadas ao setor primário da economia, como a agricultura, a pecuária e as atividades extrativas, que se destinam a produção de alimentos e de matérias-primas. Esse espaço caracteriza-se ainda pela presença de vegetação nativa, como matas e campos, ou áreas de reflorestamento.

A agropecuária é um termo utilizado para denominar, conjuntamente, as atividades da agricultura e da pecuária. A agropecuária sempre ocupou um papel de destaque na economia brasileira e é uma das mais antigas atividades econômicas praticadas no país. Ela auxiliou a ocupação e o povoamento do território, com a expansão das lavouras de cana-de-açúcar e de café.

Atualmente a agricultura e a pecuária empregam juntas, cerca de 19% da população economicamente ativa brasileira e respondem a 10% do PIB anual do país. O desenvolvimento das atividades agropecuárias, visa, basicamente, produzir alimentos para a população, abastecer as indústrias com matérias-primas.

O grande volume da atividade agropecuária brasileira deve-se, em parte, ao aumento do nível tecnológico empregados nas propriedades rurais. O nível tecnológico indica o grau de modernização dos estabelecimentos rurais, ou seja, se as propriedades usam máquinas e implementos agrícolas, além de adubos e fertilizantes; se desenvolvem práticas avançadas de cultivo e criação, como o uso de sementes selecionadas e animais com melhoramento genético; se recebem assistência técnica especializada, entre outros fatores. Porém, ainda que o nível tecnológico tenha se expandido por vastas áreas rurais do território brasileiro, o setor agrário moderno convive com o setores tecnicamente mais atrasados, também denominados de tradicionais.

A agricultura tradicional apresenta as seguintes características: é praticada basicamente em médias e pequenas propriedades; destaca-se na produção de alimentos básicos como arroz, feijão, milho e mandioca; as lavouras são cultivadas com a utilização de arados de tração animal, mão-de-obra familiar e técnicas rudimentares de preparo dos solos. Caracteriza-se ainda, principalmente, pela criação de gado na forma extensiva, onde os animais são criados soltos em grandes pastAgens, sem receber muitos cuidados. Nas pequenas propriedades também é comum a criação de animais na forma tradicional, sobretudo de suínos e aves, destinados basicamente ao consumo familiar.

Já na agricultura moderna podemos destacar as seguintes características: é praticada geralmente em grandes propriedades com o cultivo de monoculturas; destaca-se a produção de gêneros destinados às industrias ou à exportação, como soja, cana-de-açúcar, laranja e café; emprega tecnologias avançadas (tratores, colheitadeiras, semeadeiras, defensivos agrícolas, adubos, sementes selecionadas). Na pecuária moderna destaca-se a criação intensiva do rebanho, ou seja, os animais ficam confinados, ocupando pequenas áreas. As criações recebem cuidados especiais, como ração balanceada, vacinação periódica, remédios contra doenças e controle do crescimento e do peso. Os animais passam por inspeções sanitárias e acompanhamento veterinário periodicamente. Os animais se desenvolvem mais rapidamente e livres de doenças. A utilização de técnicas modernas de cultivo e criação, proporcionam maior produtividade, o que significa maior rendimento da produção.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Divisão Política

Vejam como deverá ficar o Estado do Pará após o seu desmembramento

domingo, 15 de maio de 2011

Novos Estados Brasileiros até 2015

Uma nova divisão política do Brasil está em tramitação no Congresso, e deve ser concluída até 2015 com a criação de 18 estados em todas as atuais regiões do país. Dentre essa nova divisão, todos os 26 estados e o Distrito Federal permanecerão existentes, porém alguns terão modificações territoriais como a saída para o mar no Estado de Minas Gerais (anexando parte do atual Espírito Santo) e o aumento dos litorais dos Estados do Paraná e Piauí.

A cidade do Rio de Janeiro será emancipada do atual estado, juntamente com sua região metropolitana e baixada fluminense (exceto a cidade de Niterói), tornando-se a única cidade-estado do Brasil. O Maranhão dividido em duas partes, será conhecido como Estado dos Lençóis na parte norte e como Maranhão na parte sul. As atuais cinco regiões brasileiras serão modificadas, com a extinção das regiões Centro-Oeste e Sudeste e a criação das regiões Leste, Oeste e Noroeste.

Os novos estados serão, pelas atuais regiões:

Região Norte:

Estados do Rio Negro [RI], Solimões [SO] e Juruá [JA] (divididos do atual Amazonas), Tapajós [TA] e Carajós [CR] (atual Pará) e Oiapoque [OP](região norte do Amapá e pequena faixa do extremo norte do Pará).

Região Nordeste:

Estados do São Francisco [SF](faixa que divide os atuais Estados do Alagoas e Sergipe até a Foz do Rio São Francisco e extremo norte da Bahia), São Francisco do Sul [SS](oeste da Bahia e extremo norte mineiro), Gurgueia [GU](sul do Piauí), Fernando de Noronha [FN](emancipação do arquipélago do Estado de Pernanbuco) e Lençóis [LE](parte norte do Maranhão atual).

Região Centro-Oeste: Estados do Araguaia [AR](norte de Mato Grosso), Pantanal [PN](oeste e norte do Mato Grosso do Sul e extremo sudoeste do Mato Grosso) e Planalto [PL](nordeste de Goiás).

Região Sudeste:

Estados do Triângulo [TR](atual região do Triângulo Mineiro, localizado no "nariz de Minas"), Campos [CA](norte do atual Estado do Rio de Janeiro), Guanabara [GB](demais áreas do Estado do Rio de Janeiro, com excessão do norte e da atual capital) e Rio de Janeiro (emancipação da cidade do Rio de Janeiro, sua região metropolitana e baixada fluminense transformando-a na única cidade-estado do Brasil).

Região Sul:

Estado do Iguaçú [IG](oeste paranaense e catarinense e pequena faixa do extremo sul do Mato Grosso do Sul).


Veja no mapa a nova divisão política do Brasil que entrará em vigor até 2015:



Fonte:http://othonnoticia.blogspot.com

Vale salientar que ainda há outra prosposta de divisão:

sábado, 14 de maio de 2011

Questões de fronteiras brasileiras


O Brasil conta com cerca de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, sendo o quinto maior país em área territorial do planeta (o país alcança o quarto lugar se considerarmos que os Estados Unidos em território contínuo é menor que o Brasil; só se torna maior quando incluído o Alasca, separado do território continental americano por milhares de quilômetros). Essas dimensões gigantescas foram sendo construídas ao longo dos cinco séculos de história do Brasil, sendo importante frisar que a maioria esmagadora destas terras foram adicionadas de modo pacífico.
De qualquer modo, no século XVI, o território brasileiro já tinha dimensões gigantescas. Realizada a divisão de terras a explorar entre Portugal e Espanha por meio do Tratado de Tordesilhas  de 1494, a parte reservada a Portugal no território sul-americano equivale a um terço da atual área do país, pouco menos de 3 milhões de quilômetros quadrados, ligeiramente menor que o território da Índia e maior que o da Argentina.
Com a união das coroas espanhola e portuguesa em 1580, a linha divisória de Tordesilhas perde sua razão de existência. Desse modo, os sertanistas conhecidos como bandeirantes, baseados na cidade de São Paulo, sentiram-se impelidos a explorar as áreas dos atuais estados de Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, buscando metais e pedras preciosas ou então indígenas para empregar como mão de obra escrava.
Foi com o Tratado de Madri de 1750 que o Brasil começa tomar a atual forma. Mesmo não sendo ratificado, foi importante mais tarde na resolução das últimas importantes questões fronteiriças. Nele, a Espanha aceitava todas as adições realizadas pelos bandeirantes, em troca do estratégico controle das duas margens do Rio da Prata, escoadouro natural das riquezas extraídas das colônias espanholas. Mesmo sem chegar a um acordo formal, assim permaneceu na prática a delimitação entre territórios portugueses e espanhóis na América, pois o conceito utilizado no Tratado de Madri baseava-se justamente a aferição de ocupação efetiva de território pelos súditos das respectivas coroas.
À época da independência, o Brasil conserva o território fruto da expansão bandeirante. O Império Brasileiro se esforçará em resolver algumas das questões de fronteiras, mas não com o empenho necessário, destacando-se o tratado com o Uruguai, que sofreria modificações posteriores e não resolveria a totalidade das questões de limites, e ainda teríamos o estabelecimento de limites com o Paraguai, após a Guerra do Paraguai e as anexações feitas pelo Brasil. Com a proclamação da República, destaca-se a figura do Barão do Rio Branco, responsável por ganhos territoriais em relação aos acordos com Argentina (oeste de Paraná e Santa Catarina), França (Amapá) e Grã-Bretanha (Ilha da Trindade). Com tais sucessos, acaba alçado a titular da pasta das Relações Exteriores, e durante sua longa permanência na pasta teremos a resolução de importantes questões como a do Acre (adquirido da Bolívia após sua ocupação efetiva por seringueiros brasileiros), tratados com Holanda, Colombia, Peru, Argentina e Urugai. O único revés da diplomacia Rio Branco foi a Questão do Pirara, com Inglaterra, referente a limites com a atual Guiana, onde o Brasil obteve um terço do território em questão.
Atualmente, são mínimas as controvérsias sobre limites, considerando o governo brasileiro ter consolidado as fronteiras nacionais. Exemplo de controvérsia é a da chamada “Ilha Brasileira”, no extremo sudoeste do Rio Grande do Sul, reivindicada pelo Uruguai, e cujo status o governo brasileiro recusa-se a discutir.

terça-feira, 15 de março de 2011

Área territorial Brasileira

O território brasileiro está localizado na América do Sul, apresenta extensão territorial de 8.514.876 Km2, é o quinto maior país do planeta, só é menor que os territórios da Rússia, Canadá, China e Estados Unidos, respectivamente.

É composto por 26 Estados e 1 Distrito Federal, divididos em 5 Regiões. As Regiões e os respectivos Estados integrantes são:

Região Sul: Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Região Sudeste: Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Região Centro-Oeste: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

Região Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Região Norte: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Território Brasileiro
Sua área corresponde a, aproximadamente, 1,6% de toda a superfície do planeta, ocupando 5,6% das terras emersas do globo, 20,8% da área de toda a América e 48% da América do Sul. A sua grande extensão territorial proporciona ao país fronteira com quase todos os países sul-americanos, apenas Chile e Equador não fazem fronteira com o Brasil. Por esses aspectos, o Brasil é considerado um país com dimensões continentais.

A área que corresponde ao Brasil apresenta 4.319,4 Km de distância no sentido leste – oeste, os extremos são a Serra Contamana, a oeste, com longitude de 73°59’32”; e Ponta do Seixas, a leste, com longitude 34°47’30”. Os extremos no sentido norte – sul apresentam 4.394,7 Km de distância e são compostos pelo Monte Caburaí, ao norte do território, com latitude 5°16’20”; e Arroio Chuí, ao sul, com latitude 33°45’03”.

O território brasileiro está localizado, em sua totalidade, a oeste do meridiano de Greenwich, portanto, sua área está localizada no hemisfério ocidental. A linha do Equador passa no extremo norte do Brasil, fazendo com que 7% de seu território pertença ao hemisfério setentrional e 93% localizados no hemisfério meridional.

domingo, 13 de março de 2011

ESPAÇO BRASILEIRO


 Características gerais do espaço Brasileiro:

Posição Geográfica:

O Brasil está localizado na região centro-leste da América do Sul, só não fazendo fronteira com três países sul-americanos: Chile, Equador e Trinidad-Tobago.

A linha do Equador corta o norte do Brasil, sendo assim somente 7% do território brasileiro está localizado no Hemisfério Norte, e o restante está no Hemisfério Sul.

O Trópico de Capricórnio atravessa o sul do país, desse modo praticamente todo o território brasileiro está situado na zona tropical do planeta, sendo apenas 8% localizado na zona subtropical.

Conseqüências da nossa situação geográfica:

Em nosso país existem diversos tipos de clima (equatorial, tropical e subtropical) tornando-se possível o cultivo de muitos tipos de vegetais importantes para a vida humana.

O fato de 93% do território brasileiro está localizado no Hemisfério Sul possibilita amenizar o clima nos países que estão no Hemisfério Norte.

Área:

Em 1991, houve um aperfeiçoamento nos processos de cálculo e medição das áreas, assim o território brasileiro ficou em 5° lugar entre os países mais vastos do planeta, com 8.547.403,5 Km2, sendo que essa área é equivalente à 5,7% das terras emersas ou 1,6 da área total do planeta.





Vantagens e desvantagens da grande extensão território:

A vantagem da grande extensão do território brasileiro é que possuímos uma grande área para a atuação da agricultura, em favor das diversas zonas climáticas. Além disso, há mais possibilidades de recursos vegetais, animais e minerais.

Porém, a desvantagem está na grande distância que há entre um Estado e outro, criando um grande problema para os órgãos governamentais que precisam desenvolver ferrovias e rodovias modernas e por alto preço. E, além disso, essa enorme extensão territorial resulta numa desigualdade social, política e econômica entre as regiões brasileiras.

Limites e pontos extremos:

O Brasil possui 23.086 Km de extensão de sua linha divisória, sendo que 7.367 Km de sua costa limita-se com o Oceano Atlântico e 15.719 com seus países vizinhos.

Norte: Guiana Francesa (2,83%), Suriname (2,58%), República da Guiana (6,94%), Venezuela (6,47%).
Nordeste: Colômbia (7,11%).
Oeste: Peru (12,95%) e Bolívia (13,52%).
Sudoeste: Paraguai (5,79%) e Argentina (5,46%).
Sul: Uruguai (4,34%).
Norte, Nordeste, Leste e Sudeste: Oceano Atlântico (32,03%).

Expansões da linha divisória, segundo os países limítrofes e oceano atlântico:



Existem diversas fronteiras terrestres, sendo que as predominantes são as naturais formadas por rios, lagos e serras.

Os rios completam 50% das fronteiras, 25% são formadas pelas serras, 20% pelas linhas geodésicas e 5 % pelos lagos.

Norte: Nascente do Rio Ailã, na Serra do Caburaí (5° 16’20” de latitude norte), que se encontra no estado de Roraima, fazendo fronteira com a Guiana.

Leste: Ponta Seixas, localizada na Paraíba (34° 47’30” de longitude oeste).

Sul: Arroio Chuí, que está localizado no Rio Grande do Sul (“33° 45’03” de latitude sul), fazendo fronteira com o Uruguai.

Oeste: Nascente do rio Moa, na Serra de Contamana, localizada no estado do Acre (73° 59’32” longitude oeste), fazendo fronteira com Peru.


domingo, 12 de dezembro de 2010

REGIÃO NORDESTE


 
No Nordeste, há quatro paisagens naturais diferentes: o Meio-Norte, prolongamento da Amazônia; o Sertão, que corresponde à área mais seca; a Zona da Mata, que ocorre nos trechos mais úmidos no litoral e finalmente, o Agreste, transição entre os dois últimos.


OS DIVERSOS "NORDESTES"

Litoral e Zona da Mata
 
Tendo sido introduzida, em 1530, a cana-de-açúcar na Zona da Mata, esta atividade ainda é dominante. Encontrou clima e solo propícios: tropical e massapê.
No passado, o domínio de engenhos e hoje a usina, retratam esta paisagem, que também trocou a mão-de-obra, antes negra, sob a relação escrava de produção, hoje, assalariada, porém temporária, em larga escala, no modelo bóia-fria. No interior da Zona da Mata, sobretudo em Alagoas e Bahia (Recôncavo), destacamos o fumo, assim como o sul da Bahia aparece a paisagem Jorge Amadiana do cacau, cultivado com o sombreamento da bananeira ou broqueado com a, cada vez mais reduzida, Mata Atlântica.
No litoral do Ceará e do Rio Grande do Norte há uma abrupta mudança na paisagem. Surge o sal, com destaque para as salinas de Macau e Areia Branca.
Na Zona da Mata, sobretudo após a SUDENE, destacamos os pólos Petroquímico de Camaçari, formando nestas áreas duas das três metrópoles regionais - Recife e Salvador. A terceira, e mais recente é Fortaleza, também no litoral. O turismo em toda a região vem sendo importante atividade econômica.

Agreste
É a região de transição entre a Zona da Mata e o Sertão. O Agreste com suas feiras de gado e sua policultura de subsistência, sofre modificações profundas na paisagem, monoculturas de fumo, cana. Oleaginosa, além de latifúndios que absorvem minifúndios desenham este novo perfil do agreste. Além da agricultura comercial há agora destaque para a pecuária caprina e ovina. Assim como o crescimento inchado das cidades, outrora feiras - as cidades-feira - Campina Grande, Feira de Santana, Caruaru, etc.

Sertão
O Sertão é marcado pelo latifúndio e pela pecuária. Nas "Bocas do Sertão", ilhas úmidas, encontramos a subsistência. A atividade agrícola de mercado é o algodão.
As maiores concentrações demográficas estão no São Francisco e no Cariri. O rio, que outrora era o dos Currais, hoje apresenta atividades agrícolas - cebola e vinha. Demonstrativo de que o Sertão é viável e o problema é a "Cerca"!
 
Meio-Norte
Nesta sub-região, destacamos o extrativismo vegetal, pecuária extensiva, algodão e arroz.
Extrativismo: madeira, babaçu e carnaúba.
Pecuária: áreas mais secas do interior.
Áreas mais úmidas: algodão e arroz (a soja, recentemente).
Porto de Itaqui: escoamento do minério de Carajás e todo sistema de transporte para escoamento.
 
MOMENTO ATUAL
 
A região Nordeste vêm tendo nos últimos anos, expressivas modificações em sua estrutura econômica, que, no entanto, não alteram substancialmente o calamitoso quadro social.
No campo industrial vem ocorrendo um processo de industrialização, ligado a descentralização do Sudeste, sendo, portanto, uma industrialização dependente, ligada em grande parte a concessão de incentivos fiscais. A maior parte dessas indústrias é de utilização intensiva de mão-de-obra, como calçados e vestuários, interessadas nos reduzidíssimos salários locais. A menor distância em relação a alguns mercados de exportação é outro atrativo local. Apesar disso se mantém a indústria açucareira, a do petróleo e petroquímica e muito recentemente a área de automóveis na Bahia.
Cabe lembrar que o Ceará e a Bahia têm apresentado elevados índices de crescimento industrial.
As alterações ocorrem também no meio rural, apesar da manutenção do amplo domínio latifundiário no Sertão e Zona da Mata, além da expansão, com pecuária no Agreste.
No Sertão Nordestino, projetos de irrigação viabilizaram o avanço de uma moderna agricultura fruticultora para exportação, na área em torno de Petrolina em Pernambuco, beneficiada pela grande insolação, pela já citada mão-de-obra barata, além da existência de solos com alta fertilidade mineral.
No oeste da Bahia e no sul do Maranhão, o avanço da fronteira agrícola ocorre sobretudo com a soja, mas também, com arroz e milho. No caso específico do Maranhão, o desenvolvimento é facilitado pelas excelentes condições de logística da região para exportação. Desde 1992, quando começou a funcionar o Corredor de Exportação Norte, toda a produção agrícola do sul do Maranhão passou a escoar para o Porto da Madeira, em São Luís, por um longo trecho de estrada de ferro operado pela Companhia Vale do Rio Doce. O cultivo nessa área, realizada por migrantes de origem européia vindos da Região Sul, é realizado em fazendas altamente mecanizadas, com os melhores índices de produtividade agrícola por hectare no Brasil, tem ainda como benefício a menor distância em relação ao mercado europeu.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Fundação da Cidade de Brasília



"Deste Planalto Central, desta solidão em que breve se transformará em cerébro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada, com uma fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino".
Juscelino Kubistchek

Brasília, a capital do Brasil, inaugurada em 21 de abril de 1960, continua sendo uma das mais belas e a mais moderna cidade do país. Mas a sua história começa há mais tempo do que a maioria das pessoas imaginam.

O Começo do Sonho

Desde a época do Brasil Colônia, já se pensava em construir uma nova capital.
O Brasil tinha um imenso território e, além das escaramuças de piratas e contrabando de pau-brasil, muitas nações européias foram tornando constantes os seus ataques à costa brasileira, desafiando a Coroa Portuguesa.

De nada valeram os esforços de D. João III em tentar criar um sistema de policiamento da costa do Brasil. Os ataques estrangeiros foram ficando cada vez mais frequentes e revelavam a intenção de algumas nações em ocupar partes do território brasileiro.

Basta lembrar que Salvador, a primeira capital do Brasil, sofreu diversos ataques de piratas ingleses e foi tomada pelos holandeses liderados pelo almirante Willenkens.

Os invasores só foram expulsos da capital brasileira um ano depois.
Aos poucos, alguns brasileiros começaram a perceber que o Brasil estava de costas para o Brasil. Era um povo agrupado no litoral, lançando um olhar nostálgico para o continente europeu.

Surgiriam, então, as primeiras vozes a defender a interiorização do país. Uma nova capital, no interior do Brasil, teria muito mais segurança longe do litoral e dos ataques de canhões das naus inimigas,.
Essa idéia foi defendida pelo Marquês de Pombal, em 1761. A Inconfidência Mineira, em 1789, já demonstrava a insatisfação dos brasileiros com a Coroa portuguesa e um anseio latente por um processo de interiorização do Brasil.
Entre os planos dos inconfidentes estava a transferência da capital do Rio de Janeiro para São João Del Rei. Em 1808, o jornalista Hipólito José da Costa defendia a independência política do Brasil e fundou no exílio, em Londres, o jornal "Correio Braziliense".
Hipólito José da Costa pregava a mudança da capital para o interior do país, que ele chamava de "paraíso terreal".
A Independência do Brasil, em 1822, trouxe mais ânimo para os defensores da interiorização.

Na Assembléia Constituinte de 1823, José Bonifácio defendeu a construção de uma nova capital que, segundo ele, seria uma grande chance de estimular a economia e o comércio. Essa foi a tese que José Bonifácio apresentou no documento que se intitulou "Memória sobre a necessidade e meios de edificar no interior do Brasil uma nova capital".
José Bonifácio chegou a sugerir dois nomes para a nova cidade, que ele imaginou no Planalto Central: Petrópolis e Brasília.
O diplomata e historiador Francisco Adolfo de Varnhagem, Visconde de Porto Seguro, também foi outro importante defensor da mudança da capital. Ele chegou a realizar estudos e também concluiu que a região do Planalto Central seria o local ideal para a nova capital.
Em 1891, na elaboração da primeira constituição republicana, a transferência da capital voltou a ser discutida. Foi aprovada a emenda do deputado catarinense Lauro Müller, que estabeleceu a demarcação de uma área no Planalto Central de 14 mil quilômetros para a construção da nova capital da República.
Aquele foi o primeiro passo constitucional para a mudança. Mas, se você acompanhar os próximos capítulos, verá que houve uma longa jornada, cheia de acidentes políticos, que percorreram a Primeira e a Segunda República.
A Assembléia Constituinte de 1891 aprovou a emenda do deputado Lauro Müller, que propunha a mudança da capital para o interior do país. Coube então ao novo governo republicano organizar uma missão de reconhecimento e demarcação da área do futuro Distrito Federal.
O diretor do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro, Luís Cruls, foi encarregado de chefiar a missão.

Primeiras Concretizações

Em 9 de Junho de 1892, os vinte e dois membros da missão Cruls partiram de trem, com destino a Uberaba, Minas Gerais. Eles levavam quase dez toneladas de equipamentos, como lunetas, teodolitos, sextantes, barômetros e material fotográfico para demarcar a área da futura capital no Planalto Central.
A partir de Uberaba, a expedição seguiu em cavalos e mulas, passando por Catalão, Pirenopólis e Formosa. A missão formada por biólogos, botânicos, astrônomos, geólogos, médicos e militares percorreu mais de quatro mil quilômetros.
Foram sete meses de muitas caminhadas e trilhas percorridas a pé ou em mulas, descobrindo a imensidão do Planalto Central do país.
Através dos relatórios da Missão Cruls, o Brasil pôde, pela primeira vez, conhecer em detalhes o clima, o solo, os recursos hídricos, minerais, a topografia, a fauna e a flora do Planalto Central. Cruls destacou a qualidade do solo pesquisado, suas possibilidades para a agricultura e fruticultura e também o clima da região.
"É inegável que até hoje o desenvolvimento do Brasil tem-se sobretudo localizado na estreita zona de seu extenso litoral, salvo, porém, em alguns dos seus Estados do sul, e que uma área imensa de seu território pouco ou nada tem se beneficiado com este desenvolvimento. Existe no interior do Brasil uma zona gozando de excelente clima com riquezas naturais, que só pedem braços para serem exploradas."
O Arquivo Público do Distrito Federal mantém os documentos originais da expedição. É emocionante verificar os diários, as anotações e dados científicos misturados a pequenos bilhetes de amor dos integrantes da missão endereçados às suas esposas e namoradas.
O Presidente Epitácio Pessoa, amparado na constituição de 1891, lança a pedra fundamental da nova capital do Brasil, no Morro do Centenário, em Planaltina, no estado de Goiás.
O Presidente atendia ao pedido de alguns deputados, entre eles um de nome bastante curioso: Americano Brazil, que disse: "a pedra fundamental, em Planaltina, é um alento para a fibra adormecida do ideal nacional." Americano Brazil seguiu sua cruzada, discursando no Congresso Nacional em defesa da mudança da capital. Ele até lançou um título para a dura caminhada "rumo ao Planalto." Mas nada aconteceu durante um longo tempo.

Era Juscelino

No dia 2 de outubro de 1956, pousou numa pista improvisada, no Planalto Central, um avião da FAB trazendo o Presidente Juscelino Kubitscheck. Na comitiva presidencial estavam o Ministro da Guerra, General Lott, o Governador da Bahia, Antonio Balbino, o Ministro da Viação, Almirante Lúcio Meira, o arquiteto Oscar Niemeyer, a diretoria da Novacap e ajudantes do presidente.
Eles foram recepcionados pelo Governador de Goiás, Juca Ludovico e por Bernardo Sayão. O avião aterrisou às 11:45h, numa manhã de outubro.
Olhando as fotografias daquele ensolarado dia, dá para imaginar o desafio que se apresentava aos olhos do Presidente: o vasto e imenso horizonte de um cerrado virgem, longe de tudo e de todos, sem estradas, sem energia ou sistemas de comunicação.
Juscelino, em seu livro "Por que construí Brasília", conta que "de todos os presentes, o General Lott era o que se mostrava mais desconcertado.
Distanciado-se dos presentes, deixou-se ficar à beira da pista. O presidente lembra em sua obra: " Ao me aproximar dele, não se conteve e perguntou: O senhor vai mesmo construir Brasília, Presidente ?"
Juscelino escreveu no livro de ouro de Brasília: "Deste Planalto Central, desta solidão em que breve se transformará em cerébro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada, com uma fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino".
A primeira visita do Presidente Juscelino Kubitschek ao Sítio Castanho, escolhido para sediar a futura Capital, não foi apenas simbólica. Na ocasião, foram determinados o local para construção do aeroporto de Brasília, a restauração e melhoria das estradas para Goiânia e Anápolis, a construção das estradas entre os canteiros de obras, dos prédios provisórios para os operários e a elaboração do projeto do Palácio da Alvorada.
Mas, antes da conclusão do projeto do Alvorada, um grupo de amigos de Juscelino resolveu presentear o Presidente com uma residência provisória no Planalto.
Nascia, assim, o "Catetinho", primeiro prédio de Brasília, um palácio de tábuas projetado por Oscar Niemeyer.
O nome veio do diminutivo do palácio presidencial no Rio, Palácio do Catete. Niemeyer elaborou um projeto simples, apenas com o uso da madeira e que pudesse ser executado em dez dias. Apesar da simplicidade de seu projeto, o Catetinho traz os traços da arquitetura moderna brasileira.
É como se Niemeyer tivesse criado uma maquete de sua futura e imensa obra na Capital. O Catetinho é um símbolo dos pioneiros, um palácio de tábuas, mas que serviu como a primeira residência de Kubitschek e foi também a primeira sede do Governo na Capital. Foi construído próximo à sede da antiga Fazenda do Gama, onde Juscelino descansou e tomou o seu primeiro cafezinho no Planalto.
Houve quem acreditasse em Brasília e, tão logo a notícia se espalhou, surgiria na poeira do cerrado um herói anônimo: o candango. A expressão candango, que no ínicio teve um tom pejorativo, aos poucos, passou a ser a marca dos pioneiros que se engajaram na aventura de construir Brasília.
A nova capital abria a chance de uma vida melhor. Os candangos foram chegando e erguendo barracos e casas de madeira na cidade provisória. Em dezembro de 1956 eram apenas mil habitantes; em maio de 1958 já havia mais de trinta e cinco mil.
O movimento era frenético, jipes e tratores cortando o cerrado. Um trabalho duro, sem domingo nem feriado. Israel Pinheiro organizou suas equipes de trabalho com uma disciplina de guerra. Dia e noite, sol ou chuva, Brasília não parava.
No dia 19 de setembro de 1956, foi lançado o edital para o concurso do plano piloto, que estabelecia o prêmio de um milhão de cruzeiros para o autor do projeto vencedor.
A nova capital nascia sob o signo de uma grande aventura e havia a expectativa de se encontrar um projeto que imprimisse a contemporaneidade e a ousadia esperada de Brasília.


Sonho realizado 

Cabe lembrar que a arquitetura moderna brasileira despontara a partir de 1927 com a construção da primeira casa modernista de Warchavchik, em São Paulo. Rino Levi, Lúcio Costa, Álvaro Vital Brazil, o polêmico Flávio de Carvalho e Oscar Niemeyer deram grande impulso à criação da arquitetura moderna no país.
Era grande a influência das idéias de arquitetos como Mies Van der Rohe, Frank Loyd Wright, Gropius e, sobretudo, o grande mestre Le Corbusier, que teve imensa importância na formação e avanço da moderna arquitetura no Brasil.
Até o dia 11 de março de 1957, a comissão julgadora do concurso tinha recebido 26 projetos, num total de 63 inscritos. Dentre os jurados estavam o arquiteto Oscar Niemeyer, um representante do Instituto de Arquitetos do Brasil, outro do Clube de Engenharia do Brasil, bem como o urbanista inglês William Holford, o francês André Sive e o americano Stamo Papadaki. Havia projetos ousados e até mesmo curiosos como o de M.M.M Roberto, que previa uma cidade construída em sete módulos circulares com 72.000 habitantes em cada módulo.
No projeto de Rino Levi, Cerqueira Cezar e Carvalho Franco, seriam construídos superblocos de 300 metros de altura, que abrigariam 288.000 pessoas.
O projeto escolhido foi o de Lúcio Costa, que nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar, promovendo o encontro de dois eixos. Um conceito simples e universal.
Lúcio Costa foi o vencedor, não pelo seu detalhamento, que era pobre perto de outros concorrentes, que apresentaram maquetes, croquis e estatistícas, mas pela concepção urbanística e pela fantástica descrição de seu estudo. Não deixa de ser curioso que num concurso urbanístico, as palavras tenham vencido o detalhamento técnico.
Mas Lúcio Costa tratava as palavras com a precisão de um poeta, era a obra de um ser livre que se permitiu sonhar. O próprio Lúcio Costa destaca, entre os "ingredientes" da concepção urbanística de Brasília, as lembranças dos gramados ingleses de sua infância, das auto-estradas americanas, dos altiplanos da China e da brasileríssima Diamantina.
Lúcio Costa planejou uma Brasília moderna, voltada para o futuro, mas ao mesmo tempo "bucólica e urbana, lírica e funcional".
Ele eliminou cruzamentos para que o tráfego dos automóveis fluísse mais livremente, concebeu os prédios residenciais com gabarito uniforme e construídos sobre pilotis para não impedir a circulação de pessoas.
Uma cidade rodoviária com amplas avenidas e vasto horizonte, valorizando o paisagismo e os jardins. O plano de Lúcio Costa foi, contudo, vago no que se referia à expansão imobiliária e à criação de bairros operários.
Ele diz na memória descritiva do Plano Piloto: deve-se impedir a enquistação de favelas tanto na periferia urbana quanto na rural. Cabe à Companhia Urbanizadora prover, dentro do esquema proposto, acomodações decentes e econômicas para a totalidade da população.
Não foi preciso que muitos anos se passassem para que surgissem problemas ligados à habitação popular que, durante a própria construção da capital foram chamados de invasões e se multiplicaram.
Todos os dias, novos barracos eram erguidos na chamada Cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante, e também próximos aos canteiros de obras. Os operários, que trabalhavam na construção da cidade, não pretendiam abandonar a Capital depois de sua inauguração.
As cidades satélites não surgiram como fruto de um plano detalhado, conforme o que regia a construção do Plano Piloto, mas pela urgência imposta pelas invasões. Em junho de 1958, nascia a primeira cidade satélite, propriamente dita: Taguatinga, construída às pressas para abrigar 50.000 pessoas, em sua maioria operários com suas famílias.
As Satélites, aos poucos, se transformariam em importantes centros econômicos. Depois de Taguatinga, Israel Pinheiro iniciou a construção de outras Satélites: Sobradinho, Paranoá e Gama.
Durante três anos, Brasília viveu um ritmo de trabalho alucinante. O Presidente Juscelino Kubitscheck vistoriava as obras pessoalmente com Israel Pinheiro.
Os partidos de oposição alegavam que Brasília não ficaria pronta no prazo e insistiam para que adiassem a transferência da Capital.
Brasília, vencendo os prognósticos pessimistas da oposição, foi inaugurada em 21 de abril de 1960, com toda pompa que a capital merecia .
Hoje, Brasília é uma bela cidade como no sonho de um homem que um dia vislumbrou o futuro de olhos bem abertos.